domingo, setembro 23, 2007

As minhas Palavras... 23 de Setembro de 2007



Esta semana foi muito difícil seleccionar as poesias a publicar. Fui (re)visitar a América do Sul e constatei mais uma vez que me identifico-me muito com a sua poesia. Gostaria de colocar aqui todas as palavras que me tocaram esta semana, mas o tempo e o conceito do espaço não o permitem. A seu tempo, apresentar-vos-ei outras letras sul-americanas. Hoje fiquem com Borges, Chico Buarque, Afonso Romano Sant'Ana, entre outros.

Um abraço.

Susana B.


Jorge Luís Borges - E Aprendemos



Foto: Love, Autor deconhecido



Após um tempo,
Aprendemos a diferença subtil
Entre segurar uma mão
E acorrentar uma alma,
E aprendemos
Que o amor não significa deitar-se
E uma companhia não significa segurança
E começamos a aprender...
Que os beijos não são contratos
E os presentes não são promessas
E começamos a aceitar as derrotas
De cabeça levantada e os olhos abertos
Aprendemos a construir
Todos os seus caminhos de hoje,
Porque a terra amanhã
É demasiado incerta para planos...
E os futuros têm um forma de ficarem
Pela metade.
E depois de um tempo
Aprendemos que se for demasiado,
Até um calorzinho do sol queima.
Assim plantamos nosso próprio jardim
E decoramos nossa própria alma,
Em vez de esperarmos que alguém nos traga flores.
E aprendemos que realmente podemos aguentar,
Que somos realmente fortes,
Que valemos realmente a pena,
E aprendemos e aprendemos...
E em cada dia aprendemos.




Jorge Luís Borges (Poeta Argentino, 1890-1986)

Tradução de Luís Eusébio

Biografia de Jorge Luís Borges



Y Uno Aprende



Y Uno Aprende
Después de un tiempo,
uno aprende la sutil diferencia
entre sostener una mano
y encadenar un alma,
y uno aprende
que el amor no significa acostarse
y una compañía no significa seguridad
y uno empieza a aprender...
Que los besos no son contratos
y los regalos no son promesas
y uno empieza a aceptar sus derrotas
con la cabeza alta y los ojos abiertos
y uno aprende a construir
todos sus caminos en el hoy,
porque el terreno del mañana
es demasiado inseguro para planes...
y los futuros tienen una forma de caerse
en la mitad.
Y después de un tiempo
uno aprende que si es demasiado,
hasta el calorcito del sol quema.
Así que uno planta su propio jardín
y decora su propia alma,
en lugar de esperar a que alguien le traiga flores.
Y uno aprende que realmente puede aguantar,
que uno realmente es fuerte,
que uno realmente vale,
y uno aprende y aprende...
y con cada día uno aprende.




Jorge Luís Borges (Poeta Argentino, 1890-1986)

Leo Zelada - Percival



“O que ama, obedece"
Chrétien de Troyes
siglo XII



sou o cavaleiro negro andante
que caminha silencioso entre as sombras
e desaparece taciturno sobre a névoa
aquele que luta por absurdas e ilusórias cruzadas
e só encontra o amargo olhar do exílio
não obstante é o que ao sopé de uma solitária torre
espera sua donzela — ordem das rosas —
na vasta imensidão da noite




Leo Zelada (Poeta Peruano, 1970- )

Tradução Sílvio Persivo.

Biografia de Leo Zelada




Percival




«el que ama, obedece»

Chrétien de Troyes
siglo XII

soy el oscuro caballero andante
que camina silencioso entre las sombras
y se desvanece taciturno sobre la niebla
aquel que lucha por absurdas ilusas cruzadas
y sólo encuentra la mirada amarga del exilio
no obstante el que al pie de una solitaria torre
espera a su doncella -orden de las rosas-
en la vasta inmensidad de la noche



Leo Zelada (Poeta Peruano, 1970- )

Affonso Romano de Sant'Anna - Confluência



Foto: el'amore ha l'amore come solo argomento, de Confusedivision



Ter-te amado, a fantasia exata se cumprindo
sem distância.
Ter-te amado convertendo em mel
o que era ânsia.
Ter-te amado a boca, o tato, o cheiro:
intumescente encontro de reentrâncias.
Ter-te amado
fez-me sentir:
no corpo teu, o meu desejo
– é ancorada errância.




Affonso Romano de Sant'Anna (Poeta e Jornalista Brasileiro, 1937- )

Mario Benedetti - Amor de Tarde



Foto: love is, de MADeINITALY



Es una lástima que no estés conmigo
cuando miro el reloj y son las cuatro
y acabo la planilla y pienso diez minutos
y estiro las piernas como todas las tardes
y hago así con los hombros para aflojar la espalda
y me doblo los dedos y les saco mentiras.

Es una lástima que no estés conmigo
cuando miro el reloj y son las cinco
y soy una manija que calcula intereses
o dos manos que saltan sobre cuarenta teclas
o un oído que escucha como ladra el teléfono
o un tipo que hace números y les saca verdades.

Es una lástima que no estés conmigo
cuando miro el reloj y son las seis.
Podrías acercarte de sorpresa
y decirme "¿Qué tal?" y quedaríamos
yo con la mancha roja de tus labios
tú con el tizne azul de mi carbónico.




Mario Benedetti (Poeta Uruguaiu, 1920- )

Biografia de Mario Benedetti

Darío Jaramillo Agudello - Poemas de Amor (I)



Este outro que também me habita
talvez proprietário, invasor, quem sabe o exilado neste corpo estranho ou de ambos,
este outro a quem temo e ignoro, felino ou anjo,
este outro que está só sempre que estou só, pássaro ou demónio,
esta sombra de pedra que tem crescido dentro e fora de mim,
eco ou palavra, esta voz que responde quando me perguntam algo,
o dono de meu enredo, o pessimista e o melancólico e o emotivamente alegre,
este outro,
também te ama.




Darío Jaramillo Agudello (Poeta Colombiano)

Tradução Sílvio Persivo.




Poemas de Amor (I)




Ese otro que también me habita
acaso propietario, invasor quizás o exiliado en este cuerpo ajeno o de ambos,
ese otro a quien temo e ignoro, felino o angel,
ese outro que está solo siempre que estoy solo, ave o demônio,
esa sombra de piedra que há crecido em mi adentro y em mi afuera,
eco o palabra, esa voz que responde cuando me preguntan algo,
el dueño de mi embrollo, el pesimista y el melancólico y el inmotivadamente alegre,
ese outro,
tambiém te ama.




Darío Jaramillo Agudello (Poeta Colombiano)

Jorge Carrasco - Poema de amor nocturno



Foto: Fernanda Fronza



Pero contágiate de mí, prueba mis jugosas flechas,
pon mi pátina de oro trémulo en tus riberas,
tus malezas ábreme para hallar el tibio nido:
busco tu sótano para morir en la sombra que supura.
Elige, amada, mi estocada final, di adiós a tu vida
en tres minutos, muere, muere de una vez
bajo mi hirviente cauce, sobre el olvido
de quien es en este segundo un inmenso latido de guitarra.
Vamos, pues, prepara el suspiro, el aullido
que te salva del ahogo inmemorial, el aleteo
ondulante que hiere todos los aires, todas las formas,
todo lo que cae en el temblor y no regresa.
Vamos, escúdate en tu lengua, en la tos rauda
de las sabandijas escapadas de tus miembros:
aquí va un suspiro crispado con miles de espadas
de mi centro altivo a tu centro suplicante.




Jorge Carrasco (Poeta e escritor Chileno)

Pedro Shimose - A Vida está a matar-me



Já não me persegue o terror político
com seu raio laser,
nem os próximos me amam
com seus cassetetes e serras eléctricas.
Já não me ofende a Declaração Universal
dos Direitos Humanos
nem a bomba me tira o sono
nem sequer uma guerrinha na África ou na Europa.
O que mais acontece?
Caem os muros,
crescem os lamentos
o ódio volta
com seus anjos violentos.
O Sul segue para onde sempre esteve
Não nos portamos mal
(é evidente)
e todos estão contentes,
constitucionalmente.
Esta vida me excede
com sua nicotina,
seu enfarte e cancro,
com o medo da Sida e das seringas.
Só o amor e a poesia
podem ser meus
quando a ninguém parece importar
o amor
e
a poesia.




Pedro Shimose (Poeta, escritor e jornalista Boliviano, 1940- )

Biografia de Pedro Shimose

Tradução Sílvio Persivo, com a adaptações para o português de Portugal realizadas por Susana B.




La Vida Me Está Matando



Ya no me persigue el terror político
con su rayo láser,
ni los prójimos me aman
con su palo y su picana eléctrica.
Ya no me ofende la Declaración Universal
de los Derechos Humanos,
ni la bomba me quita el sueño,
ni siquiera los disparos
de una guerrita en Africa o Europa,
¡qué más da!
Caen los muros,
crecen los lamentos.
Y el odio vuelve
con sus ángeles violentos.
El Sur sigue donde estaba.
No nos portamos mal
(es evidente)
y todos tan contentos,
constitucionalmente.
Esta vida me sobra
con su nicotina,
con su infarto y su cáncer,
con su miedo al sida y las jeringas.
Sólo el amor
y la poesía
pueden ser míos
cuando a nadie parece ya importarle
el amor
y
la poesía.




Pedro Shimose (Poeta, escritor e jornalista Boliviano, 1940- )

Chico Buarque - Construção



Foto: Na corda bamba, de João Santiago



Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado




Chico Buarque (Poeta, compositor, cantor brasileiro, 1944- )

Biografia de Chico Buarque

Gabriela Mistral - Dame la mano



A Tasso de Silveira



Dame la mano y danzaremos;
Dame la mano y me amarás.
Como una sola flor seremos,
Como una flor, y nada más…

El mismo verso cantaremos,
Al mismo paso bailarás.
Como una espiga ondularemos,
Como una espiga y nada más.

Te llamas Rosa y yo Esperanza;
Pero tu nombre olvidarás,
Porque seremos una danza
En la colina y nada más…




Gabriela Mistral (Poetisa, escritora, professora Chilena, 1889-1957)

Biografia de Gabriela Mistral

domingo, setembro 16, 2007

As minhas Palavras... 16 de Setembro de 2007




Olá amigos...

Estou de regresso. Por falta de tempo, na semana passada não publiquei nada, mas este domingo estou de volta para prosseguirmos a nossa volta ao mundo.

Hoje vamos começar a descer no território americano e conhecer alguns poetas da América do Norte e Central.

Boa viagem,

Um abraço.

Susana B.


Roque Dalton - La Poesia es como el pan



Yo como tu
amo el amor,
la vida,
el dulce encanto de las cosas
el paisaje celeste de los dias de enero.

También mi sangre bulle
y rio por los ojos
que han conocido el brote de las lágrimas.
Creo que el mundo é bello,
que la poesia es como el pan,
de todos.

Y que mis venas no terminan em mí,
sino que en la sangre unánime
de los que luchan por la vida,
el amor,
las cosas,
el paisaje y el pan,
la poesia de todos.




Roque Dalton (Poeta de El Salvador, 1935-1975)

Biografia de Roque Dalton

Carlos Enrique Ungo - E que venha a noite...



Foto: Bina Engel



Presenteia-me o riso de teus olhos
a ténue luz de teu sorriso
o milagre de teu nome
em minha boca.
Presenteia-me a humidade de teus beijos
o tíbio manto de teu abraço
o mar embravecido de teu corpo
junto ao meu.
Presenteia-me o amanhecer de tuas paixões
o espelho frágil de tuas chuvas
tua inocência feita mulher
com minhas carícias.
Presenteia-me teu amor
amor
e que venha a noite...




Carlos Enrique Ungo (Poeta de El SAlvador, 1963- )

Tradução Maria Teresa Almeida Pina



Y que venga la noche




Regálame la risa de tus ojos
la tenue luz de tu sonrisa
el milagro de tu nombre
en mi boca.

Regálame la humedad de tus besos
el tibio manto de tu abrazo
el mar embravecido de tu cuerpo
junto al mío.

Regálame el amanecer de tus pasiones
el espejo frágil de tus lluvias
tu inocencia hecha mujer
con mis caricias.

Regálame tu amor
amor
y que venga la noche…




Carlos Enrique Ungo (Poeta de El Salvador, 1963- )

Octavio Paz - Toca mi piel



Foto: DA Photography



Toca mi piel, de barro, de diamante,
Oye mi voz em fuentes subterrâneas,
Mira mi boca em esa lluvia oscura,
Mi sexo em esa brusca sacudida
Com que desnuda el aire los jardines.

Toca tu desnudez em la del agua,
Desnúdate de ti, llueve em ti misma,
Mira tus piernas como dos arroyos,
Mira tu cuerpo como um largo rio,
Son dos islãs gemelas tus dos pechos,
Em la noche tu sexo es una estrella,
Alba, luz, rosa entre dos mundos ciegos,
Mar profundo que duerme entre dos mares.

Mira el poder del mundo:
Reconócete ya, al reconocerme.




Octavio Paz (Poeta Mexicano, 1914-1998)

Biografia de Octavio Paz

Robinson Rodriguez Herrera - Complicidad



Nos hemos conjurado
amada mía, contra el mundo:
urdiendo íntimas tramas
encuentros furtivos,
colocando atentados
al falso pudor
de las beatas,
pintado las avenidas
con nuestros nombres,
buscando la misma oscuridad
que los complotados,
inventando claves y consignas,
resistiendo batallas
cotidianas,
Inmersos
en nuestra causa
ardiente y clandestina.



Robinson Rodriguez Herrera (Poeta da Costa Rica)

Luz Lescure - Renuncio



Foto: Pisco Bandito



Renuncio, me retiro
de este juego, no me sé las reglas
yo jugaba a las blancas
pero tú haces jugadas que no entiendo
-tal vez hay muchas damas em tu mesa
o jugará este juego a tu manera-
Pero aún, a pesar de la tiniebla
y el miedo, tengo torres en pie
caballos empotrados en la noche
alfiles plata en línea de horizonte
mi corazón es reina entre la niebla
de tu insegura piel.
Jugador de noches tíbias, me retiro
prefiero mi soledad y mi antigua tristeza.
Mejor dejemos tablas la partida, amor.




Luz Lescure (Poetida do Panamá, 1951- )

Biografia de Luz Lescure

Nicolás Guillén - Minha Pátria é doce por fora...



Foto: Santa Lucia Beach, Camagüey province, Cuba, de Innoxiuss.



Minha pátria é doce por fora
E muito amarga por dentro.
Minha pátria é doce por fora
Com sua primavera verde,
Com sua primavera verde,
E um sol de fel no centro.

Que céu azul tão calado
Olha impassível tua dor.
Que céu azul tão calado
Aí, Cuba, o que Deus te há dado,
Aí, Cuba, o que Deus te há dado
Pra teu céu ser tão azul.

Um pássaro de madeira
Me traz em seu bico o canto.
Um pássaro de madeira.
Aí, Cuba, se te dissera
Eu que te conheço tanto
Aí, Cuba, se te dissera
Que é de sangue tua palmeira,
Que é de sangue tua palmeira
E o teu mar é de pranto.

Sob teu riso ligeiro
Eu que te conheço tanto
Vejo o sangue e o pranto
Sob teu riso ligeiro.

Sangue e pranto
Sob teu riso ligeiro
Sangue e pranto
Sob teu riso ligeiro
Sangue e pranto.

Um filho mesmo da terra
Está numa cova metido,
Morto sem haver nascido,
Um filho mesmo da terra
E o homem da cidade,
Aí, Cuba, é um mendigo
Que anda com fome e duro
Pedindo por caridade
Ainda que use chapéu
E baile na sociedade
(e o digo por inteiro
por ser a pura verdade).

Hoje ianque, antes espanhola
Sim, senhor,
A terra que nos tocou
Sempre pobre a encontrou

Se hoje ianque, antes espanhola
Como não!
Que solitária terra só
A terra que nos tocou!

A mão que não se afrouxa
Há que estreitá-la em seguida;
Chinesa, preta, branca ou vermelha,
Chinesa, preta, branca ou vermelha,
Com a nossa mão estendida.

Um marinheiro americano,
Bem,
Num restaurante do porto,
Bem
Um marinheiro americano
Me quis estender sua mão,
Me quis estender sua mão
Porém ali se quedou morto,
Bem,
Porém ali se quedou morto
Um marinheiro americano
Que num restaurante do porto
Me quis estender a mão.
Bem!





Nicolás Guillén (Poeta cubano, 1902-1989)

Biografia de Nicolás Guillén





Mi Patria es dulce por fuera...




Un pájaro de madera
me trajo en su pico el canto;
un pájaro de madera.
¡Ay, Cuba, si te dijera,
yo que te conozco tanto,
ay, Cuba, si te dijera,
que es de sangre tu palmera,
que es de sangre tu palmera,
y que tu mar es de llanto!

Bajo tu risa ligera,
yo, que te conozco tanto,
miro la sangre y el llanto,
bajo tu risa ligera.

Sangre y llanto
bajo tu risa ligera;
sangre y llanto
bajo tu risa ligera.
Sangre y llanto.

El hombre de tierra adentro
está en un hoyo metido,
muerto sin haber nacido,
el hombre de tierra adentro.
Y el hombre de la ciudad,
ay, Cuba, es un pordiosero:
Anda hambriento y sin dinero,
pidiendo por caridad,
aunque se ponga sombrero
y baile en la sociedad.
(Lo digo en mi son entero,
porque es la pura verdad.)

Hoy yanqui, ayer española,
sí, señor,
la tierra que nos tocó
siempre el pobre la encontró
si hoy yanqui, ayer española,
¡cómo no!
¡Qué sola la tierra sola,
la tierra que nos tocó!

La mano que no se afloja
hay que estrecharla en seguida;
la mano que no se afloja,
china, negra, blanca o roja,
china, negra, blanca o roja,
con nuestra mano tendida.

Un marino americano,
bien,
en el restaurant del puerto,
bien,
un marino americano
me quiso dar con la mano,
me quiso dar con la mano,
pero allí se quedó muerto,
bien,
pero allí se quedó muerto
el marino americano
que en el restaurant del puerto
me quiso dar con la mano,
¡bien!




Nicolás Guillén (Poeta cubano, 1902-1989)

Rafael Gutiérrez - Roguemos que Mañana



No hay remédio, compañera.

En este país
Hasta las hormigas confabulan contra la alegria.

Roguemos que mañana
Lluevan sobre nosotros
Bestias de amnésia
Para quedar, ahora si, soterrados todos
Bajo
Un alud de bruma
De la que nunca, oh efímeros, debimos haber salido.




Rafael Gutiérrez (Poeta da Guatemala)


Luz Lescure - Oração



Oxalá que a dúvida
me assalte sempre
para não cair na tentação
de apropriar-me desta, daquela
ou de qualquer verdade;
para manter-me incrédula,
insegura e livre,
livre do pecado
da certeza total.




Luz Lescure (Poetisa do Panamá, 1951- )

Tradução: Silvio Persivo



Oración




Ojalá que la duda
me asalte siempre
para no caer en la tentación
de adueñarme de esta, aquella
o cualquier verdad;
para mantenerme incrédula,
insegura y libre,
libre del pecado
de la certidumbre total.




Luz Lescure (Poetisa do Panamá, 1951- )

Rigoberto Paredes - Como una Elegía



Mamá ya tiene canas, mal humor y biznietos,
se levanta más tarde,
confunde días y fechas,
habla sola,
oye menos,
se le quema el arroz,
no ve sin los anteojos,
se sabe de memoria las telenovelas,
camina a duras penas
y sólo sale a misa.

Señora
(piedra viva
en mitad
del camino de la muerte)
yo la quiero como a una quinceañera.




Rigoberto Paredes (Poeta das Honduras, 1948-2005)

Biografia de Rigoberto Paredes

domingo, setembro 09, 2007

As minhas Palavras... 9 de Setembro de 2007



Por motivos profissionais, as palavras que me tocam... desta semana chegarão um pouco atrasadas.

Até lá, um abraço.

Susana B.

domingo, setembro 02, 2007

As minhas Palavras... 2 de Setembro de 2007

Foto: Autumn Scene in Northern Ontario, Canadá, Autor desconhecido



Hoje vamos passear um pouco pela poesia do Canadá. Fiquem com:

- Margareth Atwood
- Leonard Cohen
- Mark Strand
- Duncan Campbell Scott

Um beijinho e bom domingo.

Susana B.

Margaret Atwood - You fit into me



Foto de Andreas Heumann



You fit into me
like a hook into an eye
A fish hook
An open eye




Margaret Atwood ( Poeta Canadiana, 1939- )

Biografia de Margaret Atwood

Leonard Cohen - I'm Your Man



Foto de Eliot Erwitt



If you want a lover
I'll do anything you ask me to
And if you want another kind of love
I'll wear a mask for you
If you want a partner
Take my hand
Or if you want to strike me down in anger
Here I stand
I'm your man
If you want a boxer
I will step into the ring for you
And if you want a doctor
I'll examine every inch of you
If you want a driver
Climb inside
Or if you want to take me for a ride
You know you can
I'm your man
Ah, the moon's too bright
The chain's too tight
The beast won't go to sleep
I've been running through these promises to you
That I made and I could not keep
Ah but a man never got a woman back
Not by begging on his knees
Or I'd crawl to you baby
And I'd fall at your feet
And I'd howl at your beauty
Like a dog in heat
And I'd claw at your heart
And I'd tear at your sheet
I'd say please, please
I'm your man
And if you've got to sleep
A moment on the road
I will steer for you
And if you want to work the street alone
I'll disappear for you
If you want a father for your child
Or only want to walk with me a while
Across the sand
I'm your man
If you want a lover
I'll do anything you ask me to
And if you want another kind of love
I'll wear a mask for you




Leonard Cohen (Poeta e cantor canadiano, 1934- )

Biografia de Leonard Cohen

Mark Strand - Giving Myself Up




Foto: (Re)born, de Graça



I give up my eyes which are glass eggs.
I give up my tongue.
I give up my mouth which is the contstant dream of my tongue.
I give up my throat which is the sleeve of my voice.
I give up my heart which is a burning apple.
I give up my lungs which are trees that have never seen the moon.
I give up my smell which is that of a stone traveling through rain.
I give up my hands which are ten wishes.
I give up my arms which have wanted to leave me anyway.
I give up my legs which are lovers only at night.
I give up my buttocks which are the moons of childhood.
I give up my penis which whispers encouragement to my thighs.
I give up my clothes which are walls that blow in the wind
and I give up the ghost that lives in them.
I give up. I give up.
And you will have none of it because already I am beginning
again without anything.




Mark Strand (Poeta Canadiano, 1934- )

Biografia de Mark Strand

Duncan Campbell Scott - Enigma



Foto de Pamela Hanson



Some men are born to gather women's tears,
To give a harbour to their timorous fears,
To take them as the dry earth takes the rain,
As the dark wood the warm wind from the plain;
Yet their own tears remain unshed,
Their own tumultuous fears unsaid,
And, seeming steadfast as the forest and the earth
Shaken are they with pain.
They cry for voice as earth might cry for the sea
Or the wood for consuming fire;
Unanswered they remain
Subject to the sorrows of women utterly -
Heart and mind,
Subject as the dry earth to the rain
Or the dark wood to the wind.




Duncan Campbell Scott (Poeta Canadiano, 1862-1947)

Biografia de Duncan Campbell Scott

Margaret Atwood - The Moment



The moment when, after many years
of hard work and a long voyage
you stand in the centre of your room,
house, half-acre, square mile, island, country,
knowing at last how you got there,
and say, I own this,

is the same moment when the trees unloose
their soft arms from around you,
the birds take back their language,
the cliffs fissure and collapse,
the air moves back from you like a wave
and you can't breathe.

No, they whisper. You own nothing.
You were a visitor, time after time
climbing the hill, planting the flag, proclaiming.
We never belonged to you.
You never found us.
It was always the other way round.




Margaret Atwood (Poeta Canadiana, 1939- )

Biografia de Margaret Atwood