segunda-feira, setembro 29, 2008

Natália Bonito - Apaixonantes Sensações



Arde em mim a sensação
Dos minutos sem fim
Como se tudo fosse inspiração
Doce, com sabor a jasmim,
Como se eu fosse alma e coração
E tu pedaço de mim.

Clamo a evidência perfeita
Dos abraços ancorados
Na submissão desfeita
Pelo poder dos corpos suados
Que em cada palavra eleita
Oferecem poemas amados.

Olho o infinito da escuridão
Nesta noite de calmaria,
E sonho com a tua mão
Estendida na periferia
Do meu latente coração
Num gesto de sintonia.

Por instantes, sinto o teu respirar
Bem perto da liberdade
Que a minha mente teima em traçar
Com purpurina e vaidade
Na esperança de ver chegar
O momento da feliz verdade.

E vejo-te, ao longe, a sorrir…
Aproximas-te com lentos passos
Regateando as flores por abrir
Com gestos delicados e rasos
Que fazem lembrar notas a cair
Na pauta musical dos abraços.

És tu, apaixonante,
A vida do meu respirar;
És tu, meu amante,
Alma límpida por amar,
Rosto marcante
Que teima em ficar.



Natália Bonito (Poetisa portuguesa que publica no Estradas Repletas)

sexta-feira, setembro 26, 2008

Irene Cordeiro Pereira - Alforria



Foto: Nuno Belo



Não gosto de imposições
Nem de teorias
Nem de bajulações

Não gosto de prisões
Nem de gaiolas
Nem de grandes salões
Nem de grandes figurões

Não gosto de filosofias
Nem de certezas
Nem de realezas
Não tenho fobias

Gosto de rir com gosto
Do sol no rosto
da praia marinha quando
é Agosto

Da lua na rua
Do quente do lar
de te sentir meu par
quando a palavra é nua

Gosto dos meus botões
quando rimam com as minhas solidões

E gosto do meu quintal
coisa só minha
feudo meu ser
onde sou rainha...



Irene Cordeiro Pereira (Professora e Poetisa portuguesa que publica aqui, 1968- )


Biografia Breve pela mão da Autora

Chamo-me Irene Cordeiro Pereira, tenho quarenta anos, sou professora de português e francês, moro em Porto de Mós, no distrito de Leiria. Sempre adorei ler, mas só comecei a escrever poesia aos quarenta! Pensei que não conseguia!


quarta-feira, setembro 24, 2008

Novos livros de Poesia

Caros amigos,

aproveito o meu regresso para agradecer os convites e divulgar o lançamento de dois livros de poesia:


1.º) Paulo Afonso Ramos apresenta "Mínimos Instantes".



O autor e a edium editores têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento deste livro a ter lugar no Auditório da Câmara Municipal da Amadora, dia 27 de Setembro, pelas 15 horas. A apresentação da obra e autor estará a cargo do poeta Xavier Zarco. No decorrer do evento serão declamados poemas do livro por Dionísio Dinis e interpretados trechos musicais por Sandra Rodrigues.

Podem ler dois poemas deste autor no palavras ou visitar o seu blog.


2.º) Natália Bonito apresenta "A Janela deste Mar"



A autora convida-o para o lançamento do seu recente livro de poesia intitulado 'A Janela deste Mar', no dia 27 de Setembro, no auditório do Centro Cultural John dos Passos, pelas 18h. A apresentação do trabalho estará a cargo do escritor António Cruz e haverá um recital de poesia pela mão dos elementos do Grupo de Teatro da Casa do Povo da Ponta do Sol (Ilha da Madeira).

Ainda não publiquei nada da Natália, porque ainda não li muito a sua poesia. No entanto, o que li merece a divulgação do seu trabalho. Mais dia, menos dia publicarei um poema seu. Entretanto, podem conhecê-la melhor através do seu blog Estradas Repletas.

Desejo aos dois poetas muito sucesso e muitas felicidades.

Um abraço grande.

Susana B.

Artur Ribeiro - Já me deixou



A saudade andou comigo
E através do som da minha voz
No seu fado mais antigo
Fez mil versos a falar de nós
Troçou de mim à vontade
Sem ouvir sequer os meus lamentos
E por capricho ou maldade
Correu comigo a cidade
Até há poucos momentos

Já me deixou
Foi-se logo embora
A saudade a quem chamei maldita
Já nos meus olhos não chora
Já nos meus sonhos não grita
Já me deixou
Foi-se logo embora
Minha tristeza chegou ao fim
Já me deixou mesmo agora
Saíu pela porta fora
Ao ver-te voltar para mim

Nem sempre a saudade é triste
Nem sempre a saudade é pranto e dor
Se em paga saudade existe
A saudade não dói tanto amor
Mas enquanto tu não vinhas
Foi tão grande o sofrimento meu
Pois não sabia que tinhas
Em paga ás saudades minhas
Mais saudades do que eu



Artur Ribeiro (Autor e compositor português, 1924-1982)
Biografia aqui

Ouçam este poema em forma de fado no último cd da Mariza.




segunda-feira, setembro 08, 2008

Bárbara de Sousa - Violeta de Parma



Sou um vegeto das ruínas. o meu ser
sente o mastigar de cada hora
por entre o céu descoberto.o anoitecer

Vermes rastejam
fogem de mim com asco. bebo o absinto
das lápides murmurantes
dos ciprestes que tornam em silêncio
o lirismo impuro. os sentimentos tépidos
de cada segundo...

Sou filha dum tédio, duma dor qualquer
por entre sonhos horrivelmente histéricos
jardins fastasmagóricos...
e obsessões...
Onde os resquicíos de minh'alma
evaporam como fumaça
e nos meus lábios aflora a tísica
roxa e inefável melancolia...

Sou transparência de morte, magreza hirta.
por entre a palidez clorótica,
desta noite de afronta e solidão
e nos conventos abandonados de minh'alma
sou brilho cru, agudo e febril
sugando os cansaços mornos de uma vida
leve bater de asas de cotovia...

Sobre o vazio, sobre o nada
sou desdenhosa ilusão da eternidade
minha boca acidentada
por entre os dedos esticados
e manchas de realidade.

Sou corpo cadavérico
deixado ao acaso
Sou gravação vaporosa
violeta de Parma
flor dolente e venenosa
Já sinto emurchecer na alma
as pétalas de um sonho...

já eu não sou! ...na cova escura...
já eu não sou!...defunta


(Segundo a autora, este poema bebe das palavras de José Duro, mais especificamente do seu poema "Doente", uma longa confissão de amargura e desespero de um jovem a beira da morte.)



Bárbara de Sousa (Poetisa portuguesa que publica neste blog, 1987- )


Breve Biografia pela mão da Autora

Rafaela Bárbara Faria de Sousa, 21 anos , estudante finalista de Arte e Multimédia na Uma (Universidade da Madeira).Frequentou O Conservatório Escola das Artes onde cultivou o gosto pela música, e pelo seu principal instrumento: Clarinete. A poesia aparece como uma espécie de chamamento na sua vida, sendo a sua área de interesses a Pintura.


sexta-feira, setembro 05, 2008

Alexandre O'neill - Há palavras que nos beijam



Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.



Alexandre O'neill (Poeta português, 1924-1986)

Este poema foi musicado por Mário Pacheco e cantado na forma de um Fado pela Grande MARIZA.



quarta-feira, setembro 03, 2008

Ary dos Santos - Desfolhada



Corpo de linho
lábios de mosto
meu corpo lindo
meu fogo posto.
Eira de milho
luar de Agosto
quem faz um filho
fá-lo por gosto.
É milho-rei
milho vermelho
cravo de carne
bago de amor

filho de um rei
que sendo velho
volta a nascer
quando há calor.

Minha palavra dita à luz do sol nascente
meu madrigal de madrugada
amor amor amor amor amor presente
em cada espiga desfolhada.

Minha raiz de pinho verde
meu céu azul tocando a serra
oh minha água e minha sede
oh mar ao sul da minha terra.

É trigo loiro
é além tejo
o meu país
neste momento
o sol o queima
o vento o beija
seara louca em movimento.

Minha palavra dita à luz do sol nascente
meu madrigal de madrugada
amor amor amor amor amor presente
em cada espiga desfolhada.

Olhos de amêndoa
cisterna escura
onde se alpendra
a desventura.
Moira escondida
moira encantada
lenda perdida
lenda encontrada.
Oh minha terra
minha aventura
casca de noz
desamparada.
Oh minha terra
minha lonjura
por mim perdida
por mim achada.



Ary dos Santos (Poeta português, 1937-1984)

Escrita em 1968. Foi inicialmente patenteada com o título Desfolhada Portuguesa, modificado pelo autor em 1969 para Desfolhada.
Este poema foi musicado por Nuno Nazareth Fernandes e interpretada por Simone de Oliveira. Concorreu ao Festival da RTP em 1969, obtendo o 1º lugar e foi representar Portugal à Eurovisão.




segunda-feira, setembro 01, 2008

Jean Narciso - Charuto Cubano



Agradeço ao Jean Narciso os poemas que enviou para o meu mail. Foi um prazer conhecer a sua escrita. Hoje publico o Charuto Cubano.



Fidel Castro (Autor Desconhecido)


A história fuma charuto cubano
Em minha Havana
Eu sou meu comandante-chefe
Mil ventos anunciam falcões
Em direção a minha ilha
Não temo, sou fiel.
Castro qualquer persona.
Minha Havana é maior que Bagdá.



Jean Narciso (Poeta Brasileiro, 1980- )


Pela mão do autor este é um resumo da sua BIOGRAFIA:

Jean Narciso Bispo Moura nasceu na cidade de São Félix, no estado da Bahia, no dia trinta e um de Outubro de mil novecentos e oitenta, radicado em São Paulo, formou-se em pedagogia e filosofia e especializou-se em educação. Reside na grande São Paulo, no município de Itaquaquecetuba. O autor tem dois livros publicado A lupa e sensibilidade (2002) e Setenta e cinco osso para um esqueleto poético (2005). É casado e professor de Filosofia da rede estadual paulista. www.anedotabulgara.blogspot.com