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domingo, março 28, 2010

Júlio de Sousa - Mais um fado no fado

Eu sei que esperas por mim
Como sempre, como dantes
Nos braços da madrugada...
Eu sei que em nós não há fim,
Somos eternos amantes,
Que não amaram mais nada.

Eu sei que me querem bem,
Eu sei que há outros amores
Para bordar no meu peito.
Mas eu não vejo ninguém,
Porque não quero mais dores
Nem mais baton no meu leito.

Nem beijos que não são teus,
Nem perfumes duvidosos,
Nem carícias perturbantes,
E nem infernos nem céus,
Nem sol nos dias chuvosos,
Porque inda somos amantes.

Mas Deus quer mais sofrimento,
Quer mais rugas no meu rosto
E o meu corpo mais quebrado...
Mais requintado tormento,
Mais velhice, mais desgosto,
E mais um fado no fado.



Júlio de Sousa (Letrista português)

Poema cantado em forma de Fado pelo Camané.

segunda-feira, março 22, 2010

Adília Lopes - Fedra está Apaixonada

Fedra está apaixonada
por Hipólito
Hipólito não está apaixonado
por Fedra
Fedra enforca-se
Hipólito morre
num acidente

Dido está apaixonada
por Eneias
Eneias não está apaixonado
por Dido
Dido oferece uma espada
a Eneias
Eneias esquece-se da espada
quando se vai embora

Dido suicida-se
com a espada esquecida
por Eneias

Um desgosto de amor
atirou-me para um
curso de dactilografia
consolo-me
a escrever automaticamente
o pior são os tempos livres.



Adília Lopes (Poetisa, Cronista portuguesa, 1960- )

quarta-feira, outubro 22, 2008

D. Tomás de Noronha - A uma Regateira



ENDECHAS

Do mesmo D. Thomás
A Minha Isabel
Saiu esta tarde
A matar de amores,
A vender gorazes.

Deitada ao pescoço
A beatilha leva,
Pois de desprezar
Somente se preza,

Por fresco apregoa.
O peixe, meu bem,
E no apregoar fresco
Quanto sal que tem!

Gadelhinhas louras,
Que pelas gadelhas
A minha alma anda
Pendurada nelas.

Em continhas brancas
Extremos vermelhos,
Porém como ela
Não há tal extremo.

Memória de prata
Metida no dedo,
Vá-se embora o ouro,
Que não tem tal preço.

Sainha de pano,
Barra de veludo,
Mantilha vermelha,
Sapata em pantufo.

Ao passar lhe disse
Pela requebrar:
Senhora Isabel
Quem fora goraz!

Fizera-lhe eu logo
Depressa um Soneto,
Porque de Poeta
Tenho meus dous dedos.

Porém neste passo
Entrou Bastião,
Pedia-me dinheiro,
Dei a tudo de mão.



D. Tomás de Noronha (Poeta português, -1651)

quarta-feira, outubro 08, 2008

Gonçalo Crespo - No momento do adeus sucede que os amantes



No momento do adeus sucede que os amantes
Se abraçam, a chorar, com vozes soluçantes.
Força, é força partir; a mão prende-se à mão,
E uma infinda tristeza inunda o coração.

Para nós, meu amor, nessa hora de agonia
Não houve o padecer que as almas excrucia;
Foi grave o nosso adeus e frio, e só agora
é que a dor nos subjuga, e a angústia nos devora.



Gonçalves Crespo (Poeta Português)

segunda-feira, outubro 06, 2008

Almada Negreiros - Homem transportando o cadáver de uma mulher



Quis-te tanto que gostei de mim!
Tu eras a que não serás sem mim!
Vivias de eu viver em ti
e mataste a vida que te dei
por não seres como eu te queria.
Eu vivia em ti o que em ti eu via.
E aquela que não será sem mim
tu viste-a como eu
e talvez para ti também
a única mulher que eu vi!



Almada Negreiros (Escritor e poeta português, 1893-1970)
Biografia

sexta-feira, junho 27, 2008

Ludwig van Beethoven - Carta de Amor


7 de Julho

Bom dia! Todavia, na cama se multiplicam os meus pensamentos em ti, minha amada imortal; tão alegres como tristes, esperando ver se o destino quer ouvir-nos. Viver sozinho é-me possível, ou inteiramente contigo, ou completamente sem ti. Quero ir bem longe até que possa voar para os teus braços e sentir-me num lugar que seja só nosso, podendo enviar a minha alma ao reino dos espíritos envolta contigo. Tu concordarás comigo, tanto mais que conheces a minha fidelidade, e que nunca nenhuma outra possuirá meu coração; nunca, nunca… Oh, Deus! Por que viver separados, quando se ama assim?

Minha vida, o mesmo aqui que em Viena: sentindo-me só, angustiado. Tu, amor, tens-me feito ao mesmo tempo o ser mais feliz e o mais infeliz. Há muito tempo que preciso de uma certeza na minha vida. Não seria uma definição quanto ao nosso relacionamento?… Anjo, acabo de saber que o correio sai todos os dias. E isso me faz pensar que tu receberás a carta em seguida.

Fica tranquila. Contemplando com confiança a nossa vida alcançaremos o nosso objectivo de vivermos juntos. Fica tranquila, queiras-me. Hoje e sempre, quanta ansiedade e quantas lágrimas pensando em ti… em ti… em ti, minha vida… meu tudo! Adeus… queiras-me sempre! Não duvides jamais do fiel coração de teu enamorado Ludwig.

Eternamente teu,
eternamente minha,
eternamente nossos.



Ludwig van Beethoven (Compositor Erudito Alemão, 1770—1827)


sexta-feira, junho 13, 2008

Luís Miguel Nava - As ondas que se encontram



As ondas que se encontram
ainda agora em formação no espírito
dele já não vêm rebentar ao meu.

Por mim não volto a vê-lo, encontros houve
com ele dos quais a alma ficou cheia de dedadas.

Já nem sequer dele quero ouvir falar,
saber que se ele
fosse uma cama estaria por fazer nada me traz
agora além de desconforto.



Luís Miguel Nava (Poeta português, 1957- )


sexta-feira, maio 30, 2008

António Salvado - Antinomias



Prendes num dia o que desligas noutro,
e entre o não e o sim não há meio termo:
o passo dado em frente com desvelo
revolta após por pouco duradouro.

Negas agora mas depois afirmas
e quando afirmas saberás negar:
ponteiro de um relógio que não gira
e quando gira é como se parasse.

Um cão fiel à infidelidade:
um infiel fazendo a guerra santa
com tanta santidade e temperança
que se desdiz ao prosseguir p'ra trás.



António Salvado (Poeta, ensaísta, antologiador, crítico, director de publicações português)

sexta-feira, maio 16, 2008

Lara Santos - Hoje a noite não tem fim.

Hoje a noite não tem fim.
Os minutos não passam,
Choram a tua ausência...
Sobrevivem apenas numa vaga melodia,
Que os embala e ao mesmo tempo os atrasa...

Dentro de mim ainda te oiço
Pois regresso aos caminhos
Por onde passaram os ecos perdidos da tua voz,
E por onde os teus olhos tranquilos
Deixaram os claros silêncios entre nós...

Vens no canto das aves, na espuma das ondas
És o canto do vento, luzes e sombras
Moves o ar em redor...
És a musica suave, o meu segredo mais querido
A minha dor no sustento,és o meu porto de abrigo,
És a memória do amor....guardo-te.




Lara Santos

segunda-feira, maio 05, 2008

Líria Porto - Migalhas




procuro-te entre as pessoas
encontro uns pedaços
ora numa ora noutra
um olhar um dar de ombros
recolho os retalhos
guardo-os em segredo
pois morro de medo
de te perder



Líria Porto (Poetisa brasileira que publica aqui)

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Vinicius de Moraes - O grande amor



Haja o que houver
Há sempre um homem para uma mulher
E há de sempre haver
Para esquecer um falso amor
E uma vontade de morrer

Seja como for
Há de vencer o grande amor
Que há de ser no coração
Como um perdão pra quem chorou



Vinicius de Moraes (Poeta e músico brasileiro, 1913-1980)

domingo, outubro 28, 2007

João Mendonça e José Medeiros - Barco Abandonado



Barco abandonado
Na voz do tempo, na margem do rio
Nesta lonjura
Na voz dos temporais
Anoitece um canto sombrio
Nas pedras deste cais

Há um adeus no meu olhar
Este meu barco prisioneiro
Há-de ser viageiro
No meio do mar

Barco abandonado
Na noite escura, na ronda do vento
Neste silêncio
Na voz dos temporais
Um lamento que a dor esqueceu
Nas sombras deste cais

Há um adeus dito a sorrir
Do céu Meu amor, ao céu que é meu e teu,
Um dia hei-de subir
Se te encontrar



João Mendonça e José Medeiros (Poetas Portugueses)


Cantado por Dulce Pontes

domingo, outubro 21, 2007

Teresia Teaiwa - Para Salomé



“Un viaje de 1000 millas comienza bajo nuestros pies”:
En la tierra. Madre Tierra/Padre cielo.


Dicen en ciertas partes del Pacífico que
Los hombres tienen alas
Mientras
Las mujeres sólo tienen pies.

Algunos, en otras partes del pacífico, dicen
Que mientras las mujeres pertenecen a la tierra
Los hombres pertenecen al mar.

¿Has visto y escuchado alguna vez
A una mujer de pie en la playa
Lamentarse al cielo y al mar?
Si lo has hecho has sentido entonces
La paz del dolor y el dolor de la paz.




Teresia Teaiwa (Poetisa do Kiribati

Tradução de Carlos Bedoya

Biografia de Teresia Teaiwa

Lisa Bellear - To no one: And Mary did time



Dear someone
out there who
may or may not
give a damn

‘I’m not a liar
I’m not a thief’

But you don’t give
a damn, don’t
wanna get close,
worried it might
rub off, typical
welfare come
social worker wanna
beeze’s

To whomever might
give me a passing
accidental glance,
to whomever might
have the guts to stop
and say hello

I didn’t mean to
kill my baby daught
I wasn’t right
I was sick

Dear anyone to anyone
who just might care
I didn’t know
I just didn’t know
I’m still not
sure




For Clinton Nain’s exhibition, Syndey, 2003)

Lisa Bellear (Poetisa Australiana, 1961- )

Biografia de Lisa Bellear

segunda-feira, outubro 01, 2007

Meisún Saker Al-Kasimi Abu Dhabi - La tremenda ausencia



La manzana del pecho sobre la palma
Los pedazos de la soledad dispersos sobre las colmillas del lecho
Así se despierta la sed
Bajo la mirada de la voluptuosidad
Así se ciega una fosa
Cayendo en el agotamiento
Y los clavos como las flautas
Alivian la tremenda ausencia
Y el cuerpo es relámpago de su soledad.




Meisún Saker Al-Kasimi Abu Dhabi (Poeta dos Emiratos Árabes Unidos, 1958- )

Tradução de Khalid Raissouni

Biografia de Meisún Saker Al-Kasimi Abu Dhabi

Mohammed Al-Nabhan - Una mujer



Llegaste muy tarde...
Mi verde sueño
El aroma que viaja como verde nostalgia
La aurora del Duelo...
Llegaste tarde,
Llegaste tarde...
El sueño quebrado como un espejo
Tu perfume no embriaga en el exilio
Estoy solo
Sin tierra
El mundo no me pertenece
Solitario...
Porto mi otro exilio
Mi otra hambre
Los maderos de la crucifixión
Yo viajo, un desconocido
Anhelando ser crucificado bajo las formas del romance.




Mohammed Al-Nabhan (Poeta do Kuwait, 1971- )

Traducciones de Raúl Jaime Gaviria

Biografia de Mohammed Al-Nabhan


domingo, setembro 23, 2007

Leo Zelada - Percival



“O que ama, obedece"
Chrétien de Troyes
siglo XII



sou o cavaleiro negro andante
que caminha silencioso entre as sombras
e desaparece taciturno sobre a névoa
aquele que luta por absurdas e ilusórias cruzadas
e só encontra o amargo olhar do exílio
não obstante é o que ao sopé de uma solitária torre
espera sua donzela — ordem das rosas —
na vasta imensidão da noite




Leo Zelada (Poeta Peruano, 1970- )

Tradução Sílvio Persivo.

Biografia de Leo Zelada




Percival




«el que ama, obedece»

Chrétien de Troyes
siglo XII

soy el oscuro caballero andante
que camina silencioso entre las sombras
y se desvanece taciturno sobre la niebla
aquel que lucha por absurdas ilusas cruzadas
y sólo encuentra la mirada amarga del exilio
no obstante el que al pie de una solitaria torre
espera a su doncella -orden de las rosas-
en la vasta inmensidad de la noche



Leo Zelada (Poeta Peruano, 1970- )

domingo, setembro 16, 2007

Luz Lescure - Renuncio



Foto: Pisco Bandito



Renuncio, me retiro
de este juego, no me sé las reglas
yo jugaba a las blancas
pero tú haces jugadas que no entiendo
-tal vez hay muchas damas em tu mesa
o jugará este juego a tu manera-
Pero aún, a pesar de la tiniebla
y el miedo, tengo torres en pie
caballos empotrados en la noche
alfiles plata en línea de horizonte
mi corazón es reina entre la niebla
de tu insegura piel.
Jugador de noches tíbias, me retiro
prefiero mi soledad y mi antigua tristeza.
Mejor dejemos tablas la partida, amor.




Luz Lescure (Poetida do Panamá, 1951- )

Biografia de Luz Lescure

domingo, agosto 12, 2007

Antjie Krog - Land



Foto: Spread your wings and fly (África do Sul), de Lisa Hollstegge



under orders from my ancestors you were occupied
had I language I could write for you were land my land

but me you never wanted
no matter how I stretched to lie down
in rustling blue gums
in cattle lowering horns into Diepvlei
rippling the quivering jowls drink
in silky tassels in dripping gum
in thorn trees that have slid down into emptiness

me you never wanted
me you could never endure
time and again you shook me off
you rolled me out
land, slowly I became nameless in my mouth

now you are fought over
negotiated divided paddocked sold stolen mortgaged
I want to go underground with you land
land that would not have me
land that never belonged to me

land that I love more fruitlessly than before




Antjie Krog (Poetisa Sul-Africana, 1952- )

Biografia de Antjie Krog

domingo, julho 29, 2007

Gunnar Ekelöf - Fundi uma bala…



Foto: Love is a bullet, de A.J.



Fundi uma bala para ti
Para te atingir no meu próprio coração
É de pedra, talhada por forçados
É de chumbo, temperado no sangue
É de ferro, temperada no mel
É de minério, talhada
Em toscas mordeduras
Para mais dilacerar
Para que sintas enfim
O que quer dizer morte de amor.



Gunnar Ekelöf (Poeta e escritor sueco, 1903-1968)