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segunda-feira, agosto 25, 2008

Ana Carolina - Nada te faltará



Pra onde vamos
As vans, carros e bicicletas?
Certezas avessas
Comércio de guerra
Legado de merda

Mais de um bilhão de chineses
Marchando sem deuses
E outros descalços
Fazendo sapatos
Pra nobres e ratos

Sobe do solo
A nuvem de óleo com cheiro
De enxofre queimado
Fudendo com os ares
E outras barbáries

Quero mudança total
Uma idéia genial
A ciência e o amor
A favor do futuro
Quero o claro no escuro

Peço paz aos filhos de abraão
Quero gandhi na melhor versão

E nada vai me faltar, e nada te faltará
E nada vai me faltar, e nada te faltará

Pra onde seguem os barcos?
Os homens, suas trilhas
Seus filhos e filhas
No pau da miséria?
Um pico na artéria

As mulheres pedintes perdidas
Que já quase loucas
Dividem o frio da noite
Com as drags
As mães e os "carregues"

Meninas sangrando na boca
E no meio das pernas
No meio da noite
Tomando cacete
Sem dente, sem leite

Quero respeito
Os humanos direitos
Fazendo pensar os pilares
De uma nova era
Que não seja quimera

Peço paz aos filhos de abraão
Quero gandhi na melhor versão

E nada vai me faltar, e nada te faltará
E nada vai me faltar, e nada te faltará



Ana Carolina (Letrista, cantora, compositora brasileira, 1974- )

domingo, agosto 19, 2007

Langston Hughes - Will V-Day Be Me-Day Too?

Pintura: Liberty, by Duplo86



Over There,

World War II.



Dear Fellow Americans,
I write this letter
Hoping times will be better
When this war
Is through.
I'm a Tan-skinned Yank
Driving a tank.
I ask, WILL V-DAY
BE ME-DAY, TOO?

I wear a U. S. uniform.
I've done the enemy much harm,
I've driven back
The Germans and the Japs,
From Burma to the Rhine.
On every battle line,
I've dropped defeat
Into the Fascists' laps.

I am a Negro American
Out to defend my land
Army, Navy, Air Corps--
I am there.
I take munitions through,
I fight--or stevedore, too.
I face death the same as you do
Everywhere.

I've seen my buddy lying
Where he fell.
I've watched him dying
I promised him that I would try
To make our land a land
Where his son could be a man--
And there'd be no Jim Crow birds
Left in our sky.

So this is what I want to know:
When we see Victory's glow,
Will you still let old Jim Crow
Hold me back?
When all those foreign folks who've waited--
Italians, Chinese, Danes--are liberated.
Will I still be ill-fated
Because I'm black?

Here in my own, my native land,
Will the Jim Crow laws still stand?
Will Dixie lynch me still
When I return?
Or will you comrades in arms
From the factories and the farms,
Have learned what this war
Was fought for us to learn?

When I take off my uniform,
Will I be safe from harm--
Or will you do me
As the Germans did the Jews?
When I've helped this world to save,
Shall I still be color's slave?
Or will Victory change
Your antiquated views?

You can't say I didn't fight
To smash the Fascists' might.
You can't say I wasn't with you
in each battle.
As a soldier, and a friend.
When this war comes to an end,
Will you herd me in a Jim Crow car
Like cattle?

Or will you stand up like a man
At home and take your stand
For Democracy?
That's all I ask of you.
When we lay the guns away
To celebrate
Our Victory Day
WILL V-DAY BE ME-DAY, TOO?
That's what I want to know.

Sincerely,

GI Joe.


Langston Hughes (Poeta Norte-Americano, 1902-1967)

Biografia de Langston Hughes

domingo, agosto 12, 2007

Seitlhamo Motsapi - River Robert



Foto: Machetazos, by wweeggee



we are at peace here
even while our lungs are full
of secret wars
& primordial fears bruise our suns
we are at peace here Robert

with hopes upon our heads
& songs sprouting out of our sins
we bless the lacerations

we are at peace here
across the rock & scrub
a sole rainbow pillar
protrudes from the earth, full
of promise & solace

i have one eye full of dreams & hintentions
the other is full of broken mirrors
& cracked churchbells

i have one eye full of rivers & welcomes
the other is full of flickers & fades

i have
a memory full of paths & anointings
a mouth full of ripe infant suns
seven legs for the dancing river & the clement abyss
& a hope that corrodes the convulsions
we bless the long rough road
we bless the inscrutable darkness
where our names are rent into spirit
we bless the splinters & the air
full of asphyxiations & amnesia
we bless our lacerations & our deformities

we bless the belligerent strangers
who stay on in our throats
long after forgotten festivities

as we learn the painful lessons of love
as we learn to respect the night’s sovereignty
& the slow stern wisdom of the desert
we bless the mysteries & the silence



Seitlhamo Motsapi (Poeta Sul-Africano, 1966- )

Biografia de Seitlhamo Motsapi


domingo, agosto 05, 2007

Henrique Abranches - Bater da Chuva



A porta fechada é uma obsessão.
As vozes caladas em torno de nós,
as pausas alongadas em silêncios de uma angústia
nova,
são a descontinuidade do tempo interrompido
dentro da casa que arrombaram ontem,
no coração da aldeia do Mazozo.
A chuva cai em bátegas doces, a chuva bate o capim
molhado,
e soa...
A humanidade é fria.

As mulheres já choraram tudo
Mãe Gonga comandou o coro.
Esvaem-se agora em surdina muda,
que agudiza o bater da chuva.
Os homens dizem de quando em quando
um nome obstinado.

Chamava-se Infeliz
aquele rapaz
que levaram ontem
do coração da aldeia.

A chuva matraqueia ainda e sempre
na porta fechada como uma obsessão.
Como ela nos lembra o som odiado
que dia após dia
nos sobressalta!
Como ela recorda o som da metralha,
que dia após dia
desce o morro da Calomboloca
e bate naquela porta fechada,
obcecada de protecção!

A gente conhece o som da metralha
quando ela vem no fim do dia.
Quando ela vem, silencia a aldeia,
então, em sobressalto, o povo diz:
- Foram fuzilados...

E ninguém sabe do Infeliz,
aquele rapaz que levaram ontem...




Henrique Abranches (Poeta Angolano)

João Melo - A Lagartixa Frustrada



Um dia
a lagartixa
quis ser dinossauro

Convencida
saltou pra rua
montada em blindados
pra disfarçar a sua insignificância

Tentou mobilizar as formigas
que seguiam
atarefadas
pro trabalho

"Ó pobre e reles lagartixa
condenada
à fria solidão
das paredes enormes e nuas
tu não sabes que os dinossauros
são fósseis
pre-históricos



João Melo (Poeta Angolano)

domingo, agosto 27, 2006

Ana Paula Ribeiro Tavares - November without water



Foto: "The Tear" By Richard Emblin



Olha-me p'ra estas crianças de vidro
cheias de água até às lágrimas
enchendo a cidade de estilhaços
procurando a vida
nos caixotes do lixo.

Olha-me estas crianças transporte
animais de carga sobre os dias
percorrendo a cidade até aos bordos
carregam a morte sobre os ombros
despejam-se sobre o espaço
enchendo a cidade de estilhaços.



Ana Paula Ribeiro tavares (Poeta angolana, 1952- )