Pousa teus sonhos Nos meus ombros. O mormaço escorre No suor de teu cansaço. Estamos exaustos: Eu por te esperar, Tu por não chegares. Vem. Espero teu abraço. Quero-o ardente, Possuidor. Frouxos estão Meus lamentos. Tardas. Não queres voltar? Estás farto de amor, Ou tens pouco para dar? Vem. Preciso de teus beijos Longos, gananciosos. Quero sorver vida Através de tua boca. Chama-me louca, Aventureira, Presa fácil... Estás indeciso? Queres uma pousada segura, Ou não crês nas minhas oferendas? Vem. Encontrarás o que procuras: Casa, conforto, roupa macia, Comida farta, carinho E uma cama ardente. Vem. Pousa tua teimosia Na minha solidão. Vem. Há sempre uma vaga Na minha pousada. Vem. Espero tua chegada...
Bom dia! Todavia, na cama se multiplicam os meus pensamentos em ti, minha amada imortal; tão alegres como tristes, esperando ver se o destino quer ouvir-nos. Viver sozinho é-me possível, ou inteiramente contigo, ou completamente sem ti. Quero ir bem longe até que possa voar para os teus braços e sentir-me num lugar que seja só nosso, podendo enviar a minha alma ao reino dos espíritos envolta contigo. Tu concordarás comigo, tanto mais que conheces a minha fidelidade, e que nunca nenhuma outra possuirá meu coração; nunca, nunca… Oh, Deus! Por que viver separados, quando se ama assim?
Minha vida, o mesmo aqui que em Viena: sentindo-me só, angustiado. Tu, amor, tens-me feito ao mesmo tempo o ser mais feliz e o mais infeliz. Há muito tempo que preciso de uma certeza na minha vida. Não seria uma definição quanto ao nosso relacionamento?… Anjo, acabo de saber que o correio sai todos os dias. E isso me faz pensar que tu receberás a carta em seguida.
Fica tranquila. Contemplando com confiança a nossa vida alcançaremos o nosso objectivo de vivermos juntos. Fica tranquila, queiras-me. Hoje e sempre, quanta ansiedade e quantas lágrimas pensando em ti… em ti… em ti, minha vida… meu tudo! Adeus… queiras-me sempre! Não duvides jamais do fiel coração de teu enamorado Ludwig.
Num fogo rendilhado entre as brumas e ventos deixei perdidos os meus momentos ficaram caídos, esquecidos nos meus dias. Perdi-me nas aguarelas entre pincéis e telas dos poeirentos quadros entre apertos e alegrias em que me deixei seduzir entre estéreis estrias.
Ainda assim, refeito, volto renovado e sem amarras para recomeçar o meu caminho. Nem que lute sozinho com as minhas garras sem que tu, imperfeição, que me agarras possas travar-me, impedir. Trago-vos um recado que é este poema sem pecado, inacabado é dentro dele que vou sempre existir.
Paulo Afonso Ramos (Poeta Português que publica aqui)
Toco nos teus cabelos de solidão com os meus dedos enfeitiçados de amor procurando sentir a tua candura e encontro-te, incerta, coberta de paixão postada nua e incrivelmente pura liberta, assim, de qualquer ignóbil dor. Toco no teu rosto cândido de uma imensa expressão reflectido, por vezes, perdido outras vezes lavado em emoção. Toco no teu corpo sedento construindo o nosso momento que guardaremos no baú da recordação. Toco num só corpo onde cresce o querer confundo os corpos unidos pela vida somos um só para amadurecer. Cruzados num tempo da razão descobrimos um só caminho e é nesse momento que o percorremos devagarinho.
Paulo Afonso Ramos (Poeta Português que publica aqui)
A minha vida é uma odisseia, uma cruzada Na busca da essência perfeita, Do beijo avassalador, do brilho vibrante, Do coração de propulsão extrema, Da alma gémea também ela incompleta.
Procurei entre amigos e conhecidos Numa busca sem fim nem sentido. Sonhei com o dia em que nos encontrávamos E juras de amor trocávamos. Cansei-me de falar de ti ao mar, De contar ao sol como te amo E de pedir ás estrelas conforto Por não te ter a meu lado.
Não te conheço, mas sei que um dia O destino te trará até mim. E só nesse momento poderei dizer A palavra: AMO-TE!!!!
Desnudos afrentamos el cuerpo como dos ángeles equivocados, como dos soles rojos en un bosque oscuro, como dos vampiros al alzarse el día, labios que buscan la joya del instante entre dos muslos, boca que busca la boca, estatuas erguidas que en la piedra inventan el beso sólo para que un relámpago de sangres juntas cruce la invencible muerte que nos llama. De pie como perezosos árboles en el estío, sentados como dioses ebrios para que me abrasen en el polvo tus dos astros, tendidos como guerreros de dos patrias que el alba separa, en tu cuerpo soy el incendio del ser.
Amantes II
Despidos enfrentamos o corpo Como dois anjos equivocados, Como dois sóis roxos num bosque escuro, Como dois vampiros ao se fazer o dia, Lábios que buscam a jóia do instante entre dois músculos, Boca que busca a boca, estátuas erguidas Que na pedra inventam o beijo Somente para que um relâmpago de sangue juntas Cruze a invencível morte que nos chama. De pé como pesarosas árvores no estio, Sentados como deuses ébrios Para que me abracem como um polvo teus dois astros, Estendidos como guerreiros de duas pátrias que o amanhecer separa, No teu corpo sou o incêndio do ser.
Entre por essa porta agora E diga que me adora Você tem meia hora Prá mudar a minha vida Vem, vambora Que o que você demora É o que o tempo leva...
Ainda tem o seu perfume Pela casa Ainda tem você na sala Porque meu coração dispara? Quando tem o seu cheiro Dentro de um livro Dentro da noite veloz...
Ainda tem o seu perfume Pela casa Ainda tem você na sala Porque meu coração dispara? Quando tem o seu cheiro Dentro de um livro Na cinza das horas...
Adriana Calcanhotto (Cantora, compositora e letrista brasileira, 1965- )
Hoje a noite não tem fim. Os minutos não passam, Choram a tua ausência... Sobrevivem apenas numa vaga melodia, Que os embala e ao mesmo tempo os atrasa...
Dentro de mim ainda te oiço Pois regresso aos caminhos Por onde passaram os ecos perdidos da tua voz, E por onde os teus olhos tranquilos Deixaram os claros silêncios entre nós...
Vens no canto das aves, na espuma das ondas És o canto do vento, luzes e sombras Moves o ar em redor... És a musica suave, o meu segredo mais querido A minha dor no sustento,és o meu porto de abrigo, És a memória do amor....guardo-te.
Não quero uma mulher Que seja gorda ou magra Ou alta ou baixa Ou isto e aquilo.
Não quero uma mulher Mas sim um porto, uma esquina Onde virar a vida e olhá-la De dentro para fora.
Não espero uma mulher Mas um barco que me navegue Uma tempestade que me aflija Uma sensualidade que me altere Uma serenidade que me nine.
Não sonho uma mulher Mas um grito de prazer Saindo da boca pendurada No rosto emoldurado No corpo que se apoie Nas pernas que me abracem.
Não sonho nem espero Nem quero uma mulher Mas exijo aos meus devaneios Que encontrem a única Que quero sonho e espero Não uma, mas ela.
E sei onde se esconde E conheço-lhe as senhas Que a definem. O sexo Ardente, a volúpia estridente A carência do espasmo O Amor com o dedo no gatilho.
Só quero essa mulher Com todos seus desertos Onde descansar a minha pele Exausta e a minha boca sedenta E a minha vontade faminta E a minha urgência aflita E a minha lágrima austera E a minha ternura eloquente.
Sim, essa mulher que me excite Os vinte e nove sentidos A única a saber O que dizer Como fazer Quando parar Onde Esperar.
Essa a mulher que espero E não espero Que quero e não quero Essa mulherportoesquina Que desejo e não desejo Que outro a tenha.
Que seja alta ou baixa Isto ou aquilo Mas que seja ela Aquela que seja minha E eu seja dela Que seja eu e ela Euela eu lá nela Que sejamos ela.
E eu então terei encontrado A mulher que não procuro O barco, a esquina, Você. Sim, você, que espreita Do outro lado da esquina, no cais, A chegada do marinheiro Como quem apenas me espera.
Então nos amarraremos sem vergonha À luz dos holofotes dos teus olhos, E procriaremos gritos e gemidos Que iluminarão todas as esquinas.
Será o momento de dizer Achei/achamos amei/amamos E por primeira vez vocalizar o Somos, pluralizando-nos Na emoção do encontro.
Essa a mulher que não procuro nem espero. Você, viu? Você!
Bruno Kampel (Analista Político, Poeta e Escritor Brasileiro, 1944- )
procuro-te entre as pessoas encontro uns pedaços ora numa ora noutra um olhar um dar de ombros recolho os retalhos guardo-os em segredo pois morro de medo de te perder
Si tú vienes... ...esta noche seremos un canto gregoriano un azul mediterráneo un esfuerzo sobrehumano un camino y sus esquinas un bolero y sus compases un deseo que la noche huela a vino y tenga cuerpo y el encuentro sea un pacto y toque el alma.
Si tú quieres... ...esta noche tendremos nuestra piel declamando sudores nuestros dedos tocando calores nuestras bocas oliendo sabores nuestra urgencia exigiendo clamores nuestra cama rezando promesas nuestros gritos mostrando el camino nuestras gotas llegando a destino.
Si tú dejas... ...esta noche veremos los silencios cantando sin sonido las palabras temblando sin descanso las estrellas gimiendo sin verguenza la emoción declamando dulcemente la canción galopando sin montura el amor dibujando sus urgencias elocuencias inclemencias y dolencias.
Si lo pides... ...esta noche será entonces un planeta sin fronteras la pregunta y su respuesta dos amantes y sus juegos una búsqueda sin miedo un encuentro de mutantes sin prejuicios conjugando grito y eco ojo y brillo día y luna noche y playa sol y sombra el desierto y sus camellos vela y viento cruz y espada.
Esta noche no lo dudes!....
Si tú vienes y me quieres... Si tú dejas y lo pides...
Bruno Kampel (Analista Político, Poeta e Escritor Brasileiro, 1944- )
aqui tens a minha sede. as águas dos rios somente satisfazem a urgência maior e nada diz de ti esse líquido que a sede sacia: queria beber-te nas ondas do teu ciúme e despedaçar-me no desejo dos teus lábios queria alcançar a nuvem e colher a rebeldia das gotas exaltantes dos teus beijos queria a ribeira da tua pele como a água que rebenta das fontes e unidos na mesma sede alcançar o êxtase na cintilação dos mesmos horizontes queria o incêndio escrito na mesma sede e morrer no martírio de doçuras de amante
aqui tens a minha sede: fogo e água da tua boca ardendo no azul duma água murmurante.
Interpretação: Paulo de Cravalho / Música: José Calvário
Quis saber quem sou O que faço aqui Quem me abandonou De quem me esqueci Perguntei por mim Quis saber de nós Mas o mar Não me traz Tua voz.
Em silêncio, amor Em tristeza e fim Eu te sinto, em flor Eu te sofro, em mim Eu te lembro, assim Partir é morrer Como amar É ganhar E perder
Tu vieste em flor Eu te desfolhei Tu te deste em amor Eu nada te dei Em teu corpo, amor Eu adormeci Morri nele E ao morrer Renasci
E depois do amor E depois de nós O dizer adeus O ficarmos sós Teu lugar a mais Tua ausência em mim Tua paz Que perdi Minha dor que aprendi De novo vieste em flor Te desfolhei...
E depois do amor E depois de nós O adeus O ficarmos sós
José Niza (Médico, compositor, letrista e político português, 1938- )
E Depois do Adeus ficou para a história de Portugal como a música que deu sinal de avanço aos militares que realizaram a Revolução dos Cravos, contra a ditadura do Estado-Novo, a 25 de Abril de 1974.
Minha laranja amarga e doce meu poema feito de gomos de saudade minha pena pesada e leve secreta e pura minha passagem para o breve breve instante da loucura.
Minha ousadia meu galope minha rédea meu potro doido minha chama minha réstia de luz intensa de voz aberta minha denúncia do que pensa do que sente a gente certa.
Em ti respiro em ti eu provo por ti consigo esta força que de novo em ti persigo em ti percorro cavalo à solta pela margem do teu corpo.
Minha alegria minha amargura minha coragem de correr contra a ternura.
Por isso digo canção castigo amêndoa travo corpo alma amante amigo por isso canto por isso digo alpendre casa cama arca do meu trigo.
Meu desafio minha aventura minha coragem de correr contra a ternura.
Ary dos Santos (Poeta português, 1937-1984)
Cavalo à Solta foi musicado e interpretado por Fernando Tordo e ganhou o Festival da Canção em 1971.
"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.
"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria. E só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.
"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
"Paralítico" é quem não consegue andar na direcção daqueles que precisam de sua ajuda.
"Diabético" é quem não consegue ser doce.
"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.
E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois "Miseráveis" são todos que não conseguem falar com Deus.
"It is not what we read, but what we remember that makes us learned. It is not what we intend but what we do that makes us useful. And, it is not a few faint wishes but a lifelong struggle that makes us valiant."
Henry Ward Beecher (Sacerdote, orador e escritor americano, 1813-1887)
Leio o amor no livro da tua pele; demoro-me em cada sílaba, no sulco macio das vogais, num breve obstáculo de consoantes, em que os meus dedos penetram, até chegarem ao fundo dos sentidos. Desfolho as páginas que o teu desejo me abre, ouvindo o murmúrio de um roçar de palavras que se juntam, como corpos, no abraço de cada frase. E chego ao fim para voltar ao princípio, decorando o que já sei, e é sempre novo quando o leio na tua pele.
I am happy to join with you today in what will go down in history as the greatest demonstration for freedom in the history of our nation.
Five score years ago, a great American, in whose symbolic shadow we stand today, signed the Emancipation Proclamation. This momentous decree came as a great beacon light of hope to millions of Negro slaves who had been seared in the flames of withering injustice. It came as a joyous daybreak to end the long night of their captivity.
But one hundred years later, the Negro still is not free. One hundred years later, the life of the Negro is still sadly crippled by the manacles of segregation and the chains of discrimination. One hundred years later, the Negro lives on a lonely island of poverty in the midst of a vast ocean of material prosperity. One hundred years later, the Negro is still languishing in the corners of American society and finds himself an exile in his own land. So we have come here today to dramatize a shameful condition.
In a sense we have come to our nation's capital to cash a check. When the architects of our republic wrote the magnificent words of the Constitution and the Declaration of Independence, they were signing a promissory note to which every American was to fall heir. This note was a promise that all men, yes, black men as well as white men, would be guaranteed the unalienable rights of life, liberty, and the pursuit of happiness.
It is obvious today that America has defaulted on this promissory note insofar as her citizens of color are concerned. Instead of honoring this sacred obligation, America has given the Negro people a bad check, a check which has come back marked "insufficient funds." But we refuse to believe that the bank of justice is bankrupt. We refuse to believe that there are insufficient funds in the great vaults of opportunity of this nation. So we have come to cash this check — a check that will give us upon demand the riches of freedom and the security of justice. We have also come to this hallowed spot to remind America of the fierce urgency of now. This is no time to engage in the luxury of cooling off or to take the tranquilizing drug of gradualism. Now is the time to make real the promises of democracy. Now is the time to rise from the dark and desolate valley of segregation to the sunlit path of racial justice. Now is the time to lift our nation from the quick sands of racial injustice to the solid rock of brotherhood. Now is the time to make justice a reality for all of God's children.
It would be fatal for the nation to overlook the urgency of the moment. This sweltering summer of the Negro's legitimate discontent will not pass until there is an invigorating autumn of freedom and equality. Nineteen sixty-three is not an end, but a beginning. Those who hope that the Negro needed to blow off steam and will now be content will have a rude awakening if the nation returns to business as usual. There will be neither rest nor tranquility in America until the Negro is granted his citizenship rights. The whirlwinds of revolt will continue to shake the foundations of our nation until the bright day of justice emerges.
But there is something that I must say to my people who stand on the warm threshold which leads into the palace of justice. In the process of gaining our rightful place we must not be guilty of wrongful deeds. Let us not seek to satisfy our thirst for freedom by drinking from the cup of bitterness and hatred.
We must forever conduct our struggle on the high plane of dignity and discipline. We must not allow our creative protest to degenerate into physical violence. Again and again we must rise to the majestic heights of meeting physical force with soul force. The marvelous new militancy which has engulfed the Negro community must not lead us to a distrust of all white people, for many of our white brothers, as evidenced by their presence here today, have come to realize that their destiny is tied up with our destiny. They have come to realize that their freedom is inextricably bound to our freedom. We cannot walk alone.
As we walk, we must make the pledge that we shall always march ahead. We cannot turn back. There are those who are asking the devotees of civil rights, "When will you be satisfied?" We can never be satisfied as long as the Negro is the victim of the unspeakable horrors of police brutality. We can never be satisfied, as long as our bodies, heavy with the fatigue of travel, cannot gain lodging in the motels of the highways and the hotels of the cities. We cannot be satisfied as long as the Negro's basic mobility is from a smaller ghetto to a larger one. We can never be satisfied as long as our children are stripped of their selfhood and robbed of their dignity by signs stating "For Whites Only". We cannot be satisfied as long as a Negro in Mississippi cannot vote and a Negro in New York believes he has nothing for which to vote. No, no, we are not satisfied, and we will not be satisfied until justice rolls down like waters and righteousness like a mighty stream.
I am not unmindful that some of you have come here out of great trials and tribulations. Some of you have come fresh from narrow jail cells. Some of you have come from areas where your quest for freedom left you battered by the storms of persecution and staggered by the winds of police brutality. You have been the veterans of creative suffering. Continue to work with the faith that unearned suffering is redemptive.
Go back to Mississippi, go back to Alabama, go back to South Carolina, go back to Georgia, go back to Louisiana, go back to the slums and ghettos of our northern cities, knowing that somehow this situation can and will be changed. Let us not wallow in the valley of despair.
I say to you today, my friends, so even though we face the difficulties of today and tomorrow, I still have a dream. It is a dream deeply rooted in the American dream.
I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed: "We hold these truths to be self-evident: that all men are created equal."
I have a dream that one day on the red hills of Georgia the sons of former slaves and the sons of former slave owners will be able to sit down together at the table of brotherhood.
I have a dream that one day even the state of Mississippi, a state sweltering with the heat of injustice, sweltering with the heat of oppression, will be transformed into an oasis of freedom and justice.
I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.
I have a dream today.
I have a dream that one day, down in Alabama, with its vicious racists, with its governor having his lips dripping with the words of interposition and nullification; one day right there in Alabama, little black boys and black girls will be able to join hands with little white boys and white girls as sisters and brothers.
I have a dream today.
I have a dream that one day every valley shall be exalted, every hill and mountain shall be made low, the rough places will be made plain, and the crooked places will be made straight, and the glory of the Lord shall be revealed, and all flesh shall see it together.
This is our hope. This is the faith that I go back to the South with. With this faith we will be able to hew out of the mountain of despair a stone of hope. With this faith we will be able to transform the jangling discords of our nation into a beautiful symphony of brotherhood. With this faith we will be able to work together, to pray together, to struggle together, to go to jail together, to stand up for freedom together, knowing that we will be free one day.
This will be the day when all of God's children will be able to sing with a new meaning, "My country, 'tis of thee, sweet land of liberty, of thee I sing. Land where my fathers died, land of the pilgrim's pride, from every mountainside, let freedom ring."
And if America is to be a great nation this must become true. So let freedom ring from the prodigious hilltops of New Hampshire. Let freedom ring from the mighty mountains of New York. Let freedom ring from the heightening Alleghenies of Pennsylvania!
Let freedom ring from the snowcapped Rockies of Colorado!
Let freedom ring from the curvaceous slopes of California!
But not only that; let freedom ring from Stone Mountain of Georgia!
Let freedom ring from Lookout Mountain of Tennessee!
Let freedom ring from every hill and molehill of Mississippi. From every mountainside, let freedom ring.
And when this happens, when we allow freedom to ring, when we let it ring from every village and every hamlet, from every state and every city, we will be able to speed up that day when all of God's children, black men and white men, Jews and Gentiles, Protestants and Catholics, will be able to join hands and sing in the words of the old Negro spiritual, "Free at last! free at last! thank God Almighty, we are free at last!"
Dr. Martin Luther King, Jr. (Pastor e activista político; Prémio Nobel da Paz em 1964, 1929-1968)
Tu és a luz Sentida nos luares do firmamento Tu és o fogo Que nos acende a alma num momento Dentro da noite Há uma chama mágica a brilhar Que te enfeitiça E ilumina o teu corpo a dançar
Tu és a cor Por dentro das palavras que navegam És o calor De tudo o que te dão e que te negam O brilho intenso de um olhar Um sol que se acendeu A pulsação do mundo A vida inteira A desejar o que se perdeu
À procura À procura de um sonho À procura À procura de ti Há um mar escondido No fundo dos teus olhos Que te leva Pra tão longe daqui
Mafalda Veiga (Poeta e cantora portuguesa, 1965- )