Criei este blog para registar os meus poemas e textos favoritos. Estas são as palavras que me tocam e que, de algum modo, influenciaram ou influenciam os meus pensamentos e a minha vida. Estou sempre disponível para ouvir e sentir o toque de novas palavras, por isso aceito todas as contribuições que queiram fazer (palavras.tocam@netcabo.pt). Novas palavras nos tocarão todas as Segundas, Quartas e Sextas-feiras. Sintam-nas.

Domingo, Agosto 05, 2007

Julião Soares Sousa - Cantos do meu país



Canto as mãos que foram escravas
nas galés
corpos acorrentados a chicote
nas Américas
Canto cantos tristes
do meu país
cansado de esperar
a chuva que tarde a chegar
Canto a Pátria moribunda
que abandonou a luta
calou seus gritos
mas não domou suas esperanças
Canto as horas amargas
de silêncio profundo
cantos que vêm da raiz
de outro mundo
estes grilhões que ainda detém
a marcha do meu País.



Julião Soares Sousa (Poeta da Guiné-Bissau)

1 Comentários:

Anónimo disse...

Acho este poema particularmente feliz e bem conseguido. O autor, que se afigura como um poeta e intelectual guineense de grande valor, revela uma grande capacidade crítica em relação ao destino do seu país e da África do seu tempo. Ao mesmo tempo soube captar aspectos do passado do seu continente - a escravatura - que ainda hoje constitui um obstâculo permanete ao desenvolvimento africano.