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domingo, setembro 16, 2007

Nicolás Guillén - Minha Pátria é doce por fora...



Foto: Santa Lucia Beach, Camagüey province, Cuba, de Innoxiuss.



Minha pátria é doce por fora
E muito amarga por dentro.
Minha pátria é doce por fora
Com sua primavera verde,
Com sua primavera verde,
E um sol de fel no centro.

Que céu azul tão calado
Olha impassível tua dor.
Que céu azul tão calado
Aí, Cuba, o que Deus te há dado,
Aí, Cuba, o que Deus te há dado
Pra teu céu ser tão azul.

Um pássaro de madeira
Me traz em seu bico o canto.
Um pássaro de madeira.
Aí, Cuba, se te dissera
Eu que te conheço tanto
Aí, Cuba, se te dissera
Que é de sangue tua palmeira,
Que é de sangue tua palmeira
E o teu mar é de pranto.

Sob teu riso ligeiro
Eu que te conheço tanto
Vejo o sangue e o pranto
Sob teu riso ligeiro.

Sangue e pranto
Sob teu riso ligeiro
Sangue e pranto
Sob teu riso ligeiro
Sangue e pranto.

Um filho mesmo da terra
Está numa cova metido,
Morto sem haver nascido,
Um filho mesmo da terra
E o homem da cidade,
Aí, Cuba, é um mendigo
Que anda com fome e duro
Pedindo por caridade
Ainda que use chapéu
E baile na sociedade
(e o digo por inteiro
por ser a pura verdade).

Hoje ianque, antes espanhola
Sim, senhor,
A terra que nos tocou
Sempre pobre a encontrou

Se hoje ianque, antes espanhola
Como não!
Que solitária terra só
A terra que nos tocou!

A mão que não se afrouxa
Há que estreitá-la em seguida;
Chinesa, preta, branca ou vermelha,
Chinesa, preta, branca ou vermelha,
Com a nossa mão estendida.

Um marinheiro americano,
Bem,
Num restaurante do porto,
Bem
Um marinheiro americano
Me quis estender sua mão,
Me quis estender sua mão
Porém ali se quedou morto,
Bem,
Porém ali se quedou morto
Um marinheiro americano
Que num restaurante do porto
Me quis estender a mão.
Bem!





Nicolás Guillén (Poeta cubano, 1902-1989)

Biografia de Nicolás Guillén





Mi Patria es dulce por fuera...




Un pájaro de madera
me trajo en su pico el canto;
un pájaro de madera.
¡Ay, Cuba, si te dijera,
yo que te conozco tanto,
ay, Cuba, si te dijera,
que es de sangre tu palmera,
que es de sangre tu palmera,
y que tu mar es de llanto!

Bajo tu risa ligera,
yo, que te conozco tanto,
miro la sangre y el llanto,
bajo tu risa ligera.

Sangre y llanto
bajo tu risa ligera;
sangre y llanto
bajo tu risa ligera.
Sangre y llanto.

El hombre de tierra adentro
está en un hoyo metido,
muerto sin haber nacido,
el hombre de tierra adentro.
Y el hombre de la ciudad,
ay, Cuba, es un pordiosero:
Anda hambriento y sin dinero,
pidiendo por caridad,
aunque se ponga sombrero
y baile en la sociedad.
(Lo digo en mi son entero,
porque es la pura verdad.)

Hoy yanqui, ayer española,
sí, señor,
la tierra que nos tocó
siempre el pobre la encontró
si hoy yanqui, ayer española,
¡cómo no!
¡Qué sola la tierra sola,
la tierra que nos tocó!

La mano que no se afloja
hay que estrecharla en seguida;
la mano que no se afloja,
china, negra, blanca o roja,
china, negra, blanca o roja,
con nuestra mano tendida.

Un marino americano,
bien,
en el restaurant del puerto,
bien,
un marino americano
me quiso dar con la mano,
me quiso dar con la mano,
pero allí se quedó muerto,
bien,
pero allí se quedó muerto
el marino americano
que en el restaurant del puerto
me quiso dar con la mano,
¡bien!




Nicolás Guillén (Poeta cubano, 1902-1989)

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