domingo, outubro 28, 2007

As minhas Palavras... 28 de Outubro de 2007



Foto: João Mendonça, Foto enviada por Humberto Mendonça, seu filho.



Quem me conhece à algum tempo sabe que sou uma grande fã da Dulce Pontes. Gosto dela pela voz, pela musica, mas principalmente pelas palavras. Foi através dela que conheci o poeta João Mendonça, autor de um dos meus poemas favoritos A ilha do meu Fado, já publicado no palavras.

Foi através desta publicação que o Humberto Mendonça, filho do João Mendonça, me contactou, para me agradecer a homenagem ao pai. Como conhecia pouco da vida deste poeta, pedi-lhe uma pequena nota biográfica e então, disse-me ele:

"O meu pai foi bancário e ao reformar-se dedicou-se por inteiro à escrita. Recebeu vários prémios internacionais pela sua escrita. recebeu dois prémios em W.DC um pelo melhor poema em língua estrangeira e outro pelo melhor poema de escritor estrangeiro em inglês.

Faleceu repentinamente com 57 anos no dia 3 de Agosto de 2004 de ataque cardíaco na ilha do Faial onde se encontrava a passar férias.

Foi fundador do grupo de Teatro Micaelense chamado Máquina do Tempo.

Durante muito tempo escreveu crónicas e skatches para um actor micaelense chamado Tia Maria do Nordeste, pertenceu ao grupo de teatro dos bancários chamado A Rir é que a gente se entende.

Lançou o livro Fragmentos

De entre as letras que escreveu destaco as cantadas pela Dulce Pontes, pelo Carlos do Carmo e pelos Ala dos Namorados.

Dentro em breve será lançado um livro de todos os escritos que encontrámos no seu computador.

Lembro-me dos convites para as minhas festas de aniversário que eram sempre em versos escritos por ele.

Além disso era um grande animador, contava anedotas como ninguém, tinha sempre um carinho muito especial por todas as crianças e estas por ele."

Hoje deixo aqui o meu agradecimento ao Humberto e homenageio o poeta da Dulce: João Mendonça.

Espero que gostem.

Um abraço.

Susana B.


João Mendonça - Alma Guerreira (Fogo)



Foto: Bina Engel



À volta desta fogueira
todos saltam, todos dançam, todos gritam;
e nesta dança guerreira
todos temem, ninguém foge, todos ficam.

E não há luar
mas vou ficar,
ficar por ti, por ti,
por ti meu amor,
o pranto sequei e à volta da fogueira,
entrei na dança guerreira
e me enfeiticei...

À volta desta fogueira
todos saltam, todos dançam, todos gritam;
e nesta dança guerreira
todos temem, ninguém foge, todos ficam.

Tu, tu vais ficar e vais dançar
porque sem ti, sem ti,
sem ti meu amor eu não vejo o céu,
apaga-se a fogueira que esta dança guerreira
em mim acendeu.



João Mendonça (Poeta Português)

Cantado por Dulce Pontes

João Mendonça, Dulce Pontes, António Pinheiro da Silva - O Primeiro Canto



Foto: Graça Loureiro


Dedicado a José Afonso



O tambor a tocar sem parar,
um lugar onde a gente se entrega,
o suor do teu corpo a lavar a terra.
O tambor a tocar sem parar,
o batuque que o ar reverbera,
o suor do teu rosto a lavrar a terra.

Logo de manhãzinha, subindo a ladeira já,
já vai a caminho a Maria-Faia,
desenhando o peito moreno um raminho de hortelã,
na frescura dos passos a eterna paz do Poeta.

Azinheiras de ardente paixão
soltam folhas, suaves, na calma
do teu fogo brilhando a escrever na alma.

Uma pena ilumina o viver
de outras penas de esperança perdida,
o teu rosto sereno a cantar a vida.

Mil promessas de amor verdadeiro
vão bordando o teu manto guerreiro,
hoje e sempre serás o primeiro canto!

Ai, o meu amor era um pastor, o meu amor,
ai, ninguém lhe conheceu a dor.
Ai, o meu amor era um pastor Lusitano,
ai, que mais ninguém lhe faça dano.
Ai, o meu amor era um pastor verdadeiro,
ai, o meu amor foi o primeiro.

Estas fontes da nossa utopia
são sementes, são rostos sem véus,
o teu sonho profundo a espreitar dos céus!

Mil promessas de amor verdadeiro
vão bordando o teu manto guerreiro,
hoje e sempre serás o primeiro canto!



João Mendonça, Dulce Pontes, António Pinheiro da Silva (Poetas Portugueses)


Cantado por Dulce Pontes

João Mendonça e José Medeiros - Barco Abandonado



Barco abandonado
Na voz do tempo, na margem do rio
Nesta lonjura
Na voz dos temporais
Anoitece um canto sombrio
Nas pedras deste cais

Há um adeus no meu olhar
Este meu barco prisioneiro
Há-de ser viageiro
No meio do mar

Barco abandonado
Na noite escura, na ronda do vento
Neste silêncio
Na voz dos temporais
Um lamento que a dor esqueceu
Nas sombras deste cais

Há um adeus dito a sorrir
Do céu Meu amor, ao céu que é meu e teu,
Um dia hei-de subir
Se te encontrar



João Mendonça e José Medeiros (Poetas Portugueses)


Cantado por Dulce Pontes

João Mendonça - Garça Perdida



Foto: Nana Sousa Dias


Anoiteceu
no meu olhar de feiticeira,
de estrela do mar, de céu, de lua cheia,
de garça perdida na areia.
Anoiteceu no meu olhar,
perdi as penas, não posso voar,
deixei filhos e ninhos,
cuidados, carinhos, no mar...
Só sei voar dentro de mim
neste sonho de abraçar
o céu sem fim, o mar, a terra inteira!
E trago o mar dentro de mim,
com o céu vivo a sonhar e vou sonhar até ao fim,
até não mais acordar...
Então, voltarei a cruzar este céu e este mar,
voarei, voarei sem parar á volta da terra inteira!
Ninhos faria de lua cheia e depois,
dormiria na areia...



João Mendonça (Poeta Português)


Cantado por Dulce Pontes

João Mendonça - A Alma do Poeta



Foto: Barbara Cole



É de sonho que se tece
a verdade do poeta
e a poesia acontece
quando o poeta se esquece
de acordar na hora certa

Com o corpo adormecido
e a alma bem desperta
a vida faz mais sentido
e murmura ao ouvido
do sonho a palavra certa

E depois é só trocar
por palavras sentimentos
e as emoções, enganar
e fazê-las confessar
os verdadeiros intentos

Sonhar é fazer sorrir
a lágrima mais dolorosa
e os pesadelos, despir
para depois os vestir
de mil sonhos cor-de-rosa

É fazer o sol brilhar
na noite mais tenebrosa
por a tristeza a cantar
e devolver ao olhar
aquela luz preciosa

É roubar ao pôr-do-dol
um raio de luz derradeiro
e fazer dele um farol
que ilumine o mundo inteiro.



João Mendonça (Poeta Português)


Cantado por Dulce Pontes

João Mendonça - Amália por amor



Foto: Amália, Autor Desconhecido.



Tens no olhar
Na alma e na voz
O verdadeiro fado
Que há em nós

E preso ás cordas da guitarra
Viveu o teu coração
Sem saber a razão
Cantas o mar
A terra e o céu
Com o coração na voz
Que Deus te deu

Sete colinas e varinas
E mil pregões pelo ar
O povo a rezar
Uma voz a cantar
Saudade, teu nome quiseste dar
À mulher que foi
Amália por amar

E a cantar
Tu dás tanto amor
Que morres para matar
A nossa dor

E há sardinheiras nas janelas
E procissões a passar
O povo a rezar

Tens no olhar
Na alma e na voz
O lusitano fado que há em nós
E há sardinheiras nas janelas
E procissões a passar
Uma voz a cantar

Uma voz a cantar
Saudade, teu nome quiseste dar
À mulher que foi
Amália por amar.



João Mendonça (Poeta Português)


Cantado por Dulce Pontes

Já publicados...



João Mendonça - A Ilha do meu Fado

domingo, outubro 21, 2007

As minhas Palavras... 21 de Outubro de 2007




Olá amigos,

termino hoje a volta ao mundo da poesia com a minha chegada ao Sudoeste Asiático e à Oceânia.

Conheci muitos autores novos ao explorar esta temática e alguns ficaram para sempre no meu coração. Muitos voltaram a ser apresentados no Palavras que me tocam... Aguardem.

Boa semana.

Um Abraço.

Susana B.


Chiranan Pitpreecha - Se abrirán las flores



Foto: Cedric Porchez



Flores, las flores se abrirán,
Puras y audaces florecerán en nuestro espíritu.
Blancas, la juventud se arrojará
Resueltamente hacia la transformación, encendiendo las llamas de nuestra certidumbre.
La sabiduría contra el desencanto
Da un paso adelante, hacia las multitudes.
Vida presta al sacrificio
En medio de la confusión, para el bien del pueblo.
Flores, las flores se abrirán en toda su osadía
Lentamente podrán florecer, para durar eternamente.
Aquí, allí y en todo lugar
Frescas flores, para todo el pueblo.




Chiranan Pitpreecha (Poetisa Tailandesa, 1955- )

Tradução de Raúl Jaime Gaviria

Biografia de Chiranan Pitpreecha

Crisódio T. Araújo - Poema Ancestral



Foto: Filipe Morato Gomes



Lembra os dias antigos
Em que cantavas a pureza
Na nudez dos teus passos e gestos
Ou dançavas na inocente vaidade
Ao som dos «babadok».
Relembra as trevas da tua inquietação
E o silêncio das tuas expectativas,
As chuvas, as memórias heróicas,
Os milagres telúricos,
Os fantasmas e os temores.
Tenta lembrar a herança milenar dos teus avós
Traduzida em sabedoria
E verdade de todos.
Recorda a festa das colheitas,
A harmonia dos teus Ritos,
A lição antiga da liberdade,
Filha da natureza.
Recorda a tua fé guerreira,
A lealdade,
E a ternura do teu lar sem limites,
Nos caminhos do inesperado
Ou no improviso da partilha definitiva.
Lembra pela última vez
Que a história da tua ancestralidade
É a história da tua Terra Mãe...




Crisódio T. Araújo (Poeta timorense)

Xanana Gusmão - Oh! Liberdade!



Foto: Autor desconhecido




Se eu pudesse
pelas frias manhãs
acordar tiritando
fustigado pela ventania
que me abre a cortina do céu
e ver, do cimo dos meus montes,
o quadro roxo
de um perturbado nascer do sol
a leste de Timor

Se eu pudesse
pelos tórridos sóis
cavalgar embevecido
de encontro a mim mesmo
nas serenas planícies do capim
e sentir o cheiro de animais
bebendo das nascentes
que murmurariam no ar
lendas de Timor

Se eu pudesse
pelas tardes de calma
sentir o cansaço
da natureza sensual
espreguiçando-se no seu suor
e ouvir contar as canseiras
sob os risos
das crianças nuas e descalças
de todo o Timor

Se eu pudesse
ao entardecer das ondas
caminhar pela areia
entregue a mim mesmo
no enlevo molhado da brisa
e tocar a imensidão do mar
num sopro da alma
que permita meditar o futuro
da ilha de Timor

Se eu pudesse
ao cantar dos grilos
falar para a lua
pelas janelas da noite
e contar-lhe romances do povo
a união inviolável dos corpos
para criar filhos
e ensinar-lhes a crescer e a amar
a Pátria Timor!




Xanana Gusmão (Líder da resistência Maubere, Político e poeta timorense, 1946- )

Biografia de Xanana Gusmão

Crisódio T. Araújo - Reflexos de Timor



Timorese return to the burnt out remains of their homes only to find rogue elements with the departing Indonesian Military burning nearby buildings. East Timor September 1999.
Foto: David Dare Parker



Reflexos da terra há muito deixada
Por tantos e tantos chorada...
Reflexos de um mar sedento de Paz
Corado do sangue de todo o que jaz...
Reflexos de um grito do Monte
Cansado de tanto sofrer...

Reflexos, Reflexos de Timor...

Reflexos de quem clama a Justiça
De um Mundo sem Lei nem Amor!
Reflexos de um Povo que grita
Liberdade, Liberdade, Viva Timor!




Crisódio T. Araújo (Poeta Timorense)

Teresia Teaiwa - Para Salomé



“Un viaje de 1000 millas comienza bajo nuestros pies”:
En la tierra. Madre Tierra/Padre cielo.


Dicen en ciertas partes del Pacífico que
Los hombres tienen alas
Mientras
Las mujeres sólo tienen pies.

Algunos, en otras partes del pacífico, dicen
Que mientras las mujeres pertenecen a la tierra
Los hombres pertenecen al mar.

¿Has visto y escuchado alguna vez
A una mujer de pie en la playa
Lamentarse al cielo y al mar?
Si lo has hecho has sentido entonces
La paz del dolor y el dolor de la paz.




Teresia Teaiwa (Poetisa do Kiribati

Tradução de Carlos Bedoya

Biografia de Teresia Teaiwa

Lisa Bellear - To no one: And Mary did time



Dear someone
out there who
may or may not
give a damn

‘I’m not a liar
I’m not a thief’

But you don’t give
a damn, don’t
wanna get close,
worried it might
rub off, typical
welfare come
social worker wanna
beeze’s

To whomever might
give me a passing
accidental glance,
to whomever might
have the guts to stop
and say hello

I didn’t mean to
kill my baby daught
I wasn’t right
I was sick

Dear anyone to anyone
who just might care
I didn’t know
I just didn’t know
I’m still not
sure




For Clinton Nain’s exhibition, Syndey, 2003)

Lisa Bellear (Poetisa Australiana, 1961- )

Biografia de Lisa Bellear

Mick Leigh - Secret Thoughts



Foto: Ivolgin




In secret I kiss your face,
and touch soft skin with tingling fingers.
I seek your shape and travel over perfect form.

Such elegance, so fine.
Forgotten feelings hidden deep within my slumbing soul quickly stirs
and grows in strength.
Vasculation takes control,
my spellbound eyes charm the mind,
whein euphoria dwells.

You are my Geisha.




Mick Leigh (Poeta Australiano)

domingo, outubro 14, 2007

As minhas Palavras... 14 de Outubro de 2007



Amigos,

Esta semana apresento-vos poemas de autores da Ásia Setentrional, constituída, principalmente, pela Rússia, e autores da Ásia Oriental. No oriente vamos visitar a china, a Coreia do Sul e a Mongólia.

Um abraço.

Susana B.


Regina Derieva - A poem



A poem—
is just one more
scrap of paper
that has sailed off the table
in a bottle
with a cry for help.




Regina Derieva (poeta Russa, 1949- )

Biografia de Regina Derieva

Regina Derieva - All my life



All my life
I sought
an angel.
And he appeared
in order to say:
"I am no angel !"




Regina Derieva (Poeta Russa, 1949- )

Biografia de Regina Derieva

Galsan Tschinag - Alza tu mirada



Foto: Graça Loureiro



Alza tu mirada
A los copos de nieve
Que flotan hacia abajo

Son repatriados

Han habitado esta tierra
Antes que tú y yo
Nos son ancestros, hermanos
Compañeros de tiempo y espacio, luego
Fueron arena, viento, estrellas
Han descansado, ondeado, tremolado

Quizás conocimos
Todavía a unos cuantos
Convivimos con ellos
En común acuerdo
Amargo – pero tantas veces
También en desacuerdo

Ahora se convirtieron
En nubes
Y se repatrían hechos nieve

Ausculta el interior
Lo que cruje
Es susurro
Para ti o para mí

Baja la voz
Ellos también lo hacen
Temen
Despertarnos
Del sueño que
Se llama vida




Galsan Tschinag (Poeta da Mongólia, 1944- )

Inéditos em Espanhol de Perras Nubes (1998)

Biografia de Galsan Tschinag

Xiao Xue - Alba



Barcos pesqueros, hacia el este,
hacia el este, lejanos ya ;
cantos alegres, hacia el cielo,
hacia el cielo, fundidos en el alba.

Unas pescadoras
reparan sus redes en la playa.
Sus manos hábiles conducen los hilos plateados.

Nace el sol.
Brilla el lago Erhai
como corazón de las pescadoras,
lleno de alegría y felicidad.

La brisa se paraliza,
los sauces se tranquilizan.
¿Qué escuchan ?
La voz del corazón de las pescadoras :

"Los barcos fueron agua adentro,
los barcos fueron agua adentro ;
por lejos que estén
no saldrán del lago Erhai."

"El fue de pesca,
él fue de pesca ;
por lejos que esté,
no saldrá del corazón de su pescadora..."




Xiao Xue (Poeta da China Popular, 1936- )

Biografia de Xiao Xue

Regina Derieva - Theory Of Recruiting



Foto: Panza Nada



Sons of bitches
were born
with hearts of stone,
cherishing this stone
all their life.
Children of
sons of bitches
were born
with hearts of grenade,
in order to
blow to pieces
everything,
and to leave as a message for their descendants —
entrails
(still smoking entrails)
of sons of bitches.




Regina Derieva (Poeta Russa, 1949- )

Biografia de Regina Derieva

Andrei Voznesensky - Russian-American Romance



In my land and yours they do hit the hay
and sleep the whole night in a similar way.

There's the golden Moon with a double shine.
It lightens your land and it lightens mine.

At the same low price, that is for free,
there's the sunrise for you and the sunset for me.

The wind is cool at the break of day,
it's neither your fault nor mine, anyway.

Behind your lies and behind my lies
there is pain and love for our Motherlands.

I wish in your land and mine some day
we'd put all idiots out of the way.




Andrei Voznesensky (Poeta Russo, 1933- )

Biografia de Andrei Voznesensky

Kwang-Kyu Kim - País de las neblinas



Foto: Raindog



En el país de las neblinas
siempre entre neblina
nunca pasa nada
Y si pasara algo
no se puede ver nada
por la neblina
Cuando se vive entre la neblina
uno se acostumbra a la neblina
y ya no quiere ver nada
Por eso, en el país de las neblinas
no querrías ver
hay que oír
no puedes vivir, sin oír
y las orejas comienzan a crecer
Gente como conejos
con orejas blancas de neblina
habitan el país de las neblinas




Kwang-Kyu Kim (Poeta da Coreia do Sul, 1941 - )

Tradução a partir do alemão realizada por Jona e Tobías Burghardt

Biografia de Kwang-Kyu Kim

Kwang-Kyu Kim - Muerte de un cangrejo joven



Un cangrejo joven
capturado junto a su madre tropieza del cesto de un vendedor
mientras los cangrejos grandes penden de una cadena de paja
escupiendo espuma y matraqueando inútilmente con sus tenazas
huye, gatea de costado por el asfalto
en busca de su niñez, el juego de las escondidas en el lodo,
la libertad del mar
Estira sus ojos, mira por todas partes
y luego muere bajo las llantas del camión militar
totalmente aplastado
Donde se pudre su cadáver, de un lado en el polvo
asciende una luz celestial que nadie vislumbra.




Kwang-Kyu Kim (Poeta da Coreia do Sul, 1941 - )

Tradução a partir do alemão realizada por Jona e Tobías Burghardt

Biografia de Kwang-Kyu Kim

domingo, outubro 07, 2007

As minhas Palavras... 07 de Outubro de 2007




Caros amigos e visitantes,

hoje vamos passear pela Ásia Central e Meridional através das palavras de poetas do Irão, da Índia, do Nepal e do Paquistão.

Enjoy.

Até ao próximo domingo.

Um abraço.

Susana B.


Siddarth Anand - Soulstrong / Breakaway



Foto: Free, de Ben Goode



Abandon the past
Throw away the baggage
Suffer no more. Avast (stop now)

Breakaway from the chains and shackles
Which from you, your life, take away;
Breathe again; this time without constraint
And the dreams in your eyes
Realize;

Forget fear. Forget the barriers and the walls
Even the greatest of mountains on your feet will fall
When you with self-trust stand tall.

Walk away from those who try to cheat on your soul. Don’t stall.
Remember the wisdom of those wiremen The universal law will square all.

Dream and don’t give up
And if they don’t shape up
Try. try once more.
Don’t breakup.

For the race of life
Is won, not, by the fastest or the strongest
But, by the one who can give his all……….




Siddarth Anand (Poeta da Índia)

Biografia de Siddarth Anand

Chirag Bangdel - El Derrame de La carga



Foto de Optick



Oscuridad
que todo lo unifica.
Fría oscuridad
pero justa.
Sin forma
tamaño,
o color.
De un negro parejo. ¡Vana belleza
existirás sólo para la luz!




Chirag Bangdel (Poeta do Nepal, 1971- )

Biografia de Chirag Bangdel

Nahid Kabiri - Petición Autorizada



¿Me permite usted, señor?
¿Puedo abrir las ventanas de mi corazón
a las envolventes tentaciones de la luz?
¿Y, aunque sea desde la distancia,
mirar las bellezas de la vida?

¿Me permite usted, señor?
¿Me permite ser yo misma – una mujer…
de entre todos los trescientos sesenta y cinco días del año,
por sólo uno, liberarme
de sus órdenes y prohibiciones?

¿Me permite usted, señor?
¿Me permite tomarme la libertad natural
de recostarme sobre la hierba verde
y siendo aún más generosa que el sol
dar al suelo expectante
la tibieza de mi cuerpo y alma?
¿O, en los cultivos a lo lejos,
posarme sobre un árbol solitario
para cantar en el campo
buscando la comunión con los pájaros
y la armonía con los ríos,
en los cuales nadan extáticos cardúmenes de peces
y, en recuerdo
de todos mis susurros de amor a la lluvia,
rendirme a una libertad por mucho tiempo ansiada?

¿Me permite usted, señor?
¿Me permite tan sólo por un rato en su sociedad impuesta
ser eximida de las molestias de los
“¡Detente!”s
“¡No hagas!”
“¡No!”s
y “¡Nunca!”s?
¿Me es permitido, si usted cortésmente me concede el derecho,
soñar con el amor?
¿Y, fascinada por los audaces versos del amotinamiento,
el encanto envolvente de un beso,
y el cautivador brillo de la libertad,
evadirme
de la severidad de los oficios domésticos,
impuestos exclusivamente a la mujer?

¿Me lo permite, señor?
¿Me permite por unos momentos de alivio, dejar
la aguja y el hilo,
la ropa y la plancha,
la tetera y la estufa,
y bajo los cielos infinitos del romance,
fusionar mi ser
con esos adorables momentos de sentido común e inteligencia,
que su “CÓDIGO” me ha negado siempre?
¿Me lo permite, señor?
¿Me lo permite, señor?
¿Me permite saludar algún día a un vecino?
¿O tejer una bufanda para algún transeúnte
Con los hilos de mis lágrimas no derramadas?
¿Y puedo emigrar sin un “permiso”
al altar de rosas
allá a lo lejos – en los fragantes campos de la primavera? ¿Me lo permite, señor?
¿Me lo permite?
¿Me permite luego burlarme de cualquier cosa de acá? Sí, burlarme, ¡señor!
Y decírselo en su cara:
su “Yasa”[1] es una vergüenza
y la justicia en la que usted cree,
es, de hecho, una desgracia.


[1] Antiguo y estricto código mongol.





Nahid Kabiri (Poetisa do Irão, 1948- )

Biografia de Nahid Kabiri

Kishwar Naheed - Hablando conmigo misma



Castígame por haber escrito el significado del sueño
en mi propia sangre he escrito un libro guiado por una obsesión
Castígame por haber pasado la vida santificando el sueño del futuro
he vivido soportando las tribulaciones de la noche
Castígame por haber impartido el conocimiento y las destrezas
de la espada al asesino
y por haber demostrado a la mente el poder de la pluma
Castígame por haber desafiado al crucifijo del odio
Yo soy el resplandor de las antorchas que arden contra el viento
Castígame por haber liberado a la feminidad de la locura de la noche alucinada
Castígame porque si yo vivo tú puedes perder el rostro
Castígame porque si mis hijos levantan sus manos, llegará tu fin
Si una sola espada se desenvaina para hablar, llegará tu fin
Castígame por haber amado la vida nueva en cada respiración
Yo debo vivir mi vida y la habré de multiplicar más allá de sí misma
Castígame porque entonces, la sentencia de tu castigo llegará a su fin




Kishwar Naheed (Poetisa do Paquistão, 1940- )

Tradução de Ximena Londoño

Biografia de Kishwar Naheed

Kishwar Naheed - Nosotras, mujeres pecadoras



Somos nosotras, mujeres pecadoras,
quienes no sentimos temor ante la
grandeza de aquellos, los señores de hábito.

Quienes no vendemos nuestras vidas,
quienes no inclinamos la cabeza,
ni juntamos nuestras manos en señal de devoción.

Somos nosotras, mujeres pecadoras;
mientras aquellos que venden la cosecha de nuestros cuerpos,
se exaltan, se vuelven distinguidos,
se convierten en simples príncipes del mundo material.

Somos nosotras, mujeres pecadoras,
quienes salimos levantando la bandera de la verdad
contra la barricada de mentiras esparcida sobre las avenidas;
quienes encuentran historias de persecución
apiladas en cada umbral,
quienes se dan cuenta que esas
lenguas que podrían hablar,
han sido cercenadas.

Somos nosotras, mujeres pecadoras.
Incluso si la noche nos persigue
estos ojos no habrán de apagarse.
No insistan en volver a levantar
la pared ya construida.

Somos nosotras, mujeres pecadoras,
quienes no sentimos temor ante la
grandeza de aquellos, los señores de hábito.
Quienes no vendemos nuestros cuerpos,
quienes no inclinamos la cabeza,
ni juntamos nuestras manos en señal de devoción.




Kishwar Naheed (Poetisa do Paquistão, 1940- )

Tradução de Ximena Londoño

Biografia de Kishwar Naheed

Chirag Bangdel - Ámandote



Un amor
que no es blanco ni frío
como el Taj Majal.
Un poco tibio
como una bolsa de agua caliente
bajo pies congelados.
Tan agradable
como las cosquillas
de tu cabello en mi rostro.

No me siento un vencedor
porque seas hermosa y perfecta.
El amor tiene sus fallas
y esto sí te hace perfecta.




Chirag Bangdel (Poeta do Nepal, 1971- )

Biografia de Chirag Bangdel

segunda-feira, outubro 01, 2007

As minhas Palavras... 01 de Outubro de 2007




Caros amigos,

peço desculpa pelo atraso na publicação dos poemas desta semana, mas compromissos profissionais afastaram-me um pouco do blog. De qualquer forma, aqui estão os poemas.

Esta semana iniciei o meu percurso pelas letras da Ásia e resolvi conhecer os poetas da Ásia Ocidental.

Apresento-vos hoje, poetas do Líbano, da Jordânia, de Israel, do Kuwait, entre outros.

Espero que gostem.

Um abraço.

Susana B.


Kahlil Gibran - O Casamento



Then Almitra spoke again and said, "And what of Marriage, master?"
And he answered saying:
You were born together, and together you shall be forevermore.
You shall be together when white wings of death scatter your days.
Aye, you shall be together even in the silent memory of God.
But let there be spaces in your togetherness,
And let the winds of the heavens dance between you.
Love one another but make not a bond of love:
Let it rather be a moving sea between the shores of your souls.
Fill each other's cup but drink not from one cup.
Give one another of your bread but eat not from the same loaf.
Sing and dance together and be joyous, but let each one of you be alone,
Even as the strings of a lute are alone though they quiver with the same music.
Give your hearts, but not into each other's keeping.
For only the hand of Life can contain your hearts.
And stand together, yet not too near together:
For the pillars of the temple stand apart,
And the oak tree and the cypress grow not in each other's shadow.



in O Profeta.

Kahlil Gibran (Poeta Libanês, 1883-1931)

Biografia de Kahlil Gibran

Meisún Saker Al-Kasimi Abu Dhabi - La tremenda ausencia



La manzana del pecho sobre la palma
Los pedazos de la soledad dispersos sobre las colmillas del lecho
Así se despierta la sed
Bajo la mirada de la voluptuosidad
Así se ciega una fosa
Cayendo en el agotamiento
Y los clavos como las flautas
Alivian la tremenda ausencia
Y el cuerpo es relámpago de su soledad.




Meisún Saker Al-Kasimi Abu Dhabi (Poeta dos Emiratos Árabes Unidos, 1958- )

Tradução de Khalid Raissouni

Biografia de Meisún Saker Al-Kasimi Abu Dhabi

Nimah Nawwab - The Longing



Foto: Autor desconhecido



Freedom.
How her spirit
Haunts,
Hooks,
Entices us all!

Freedom,
Will the time come
For my ideas to roam
Across this vast land’s deserts,
Through the caverns of the Empty Quarter?


For my voice to be sent forth,
Crying out in the stillness of a quiet people,
A voice among the voiceless?

For my thoughts, that hurl around
In a never-ending spiral,
To settle
Mature, grow and flourish
In a barren wasteland of shackled minds?

Will my spirit be set free—
To soar above the undulating palm fronds?
Will my essence and heart be unfettered,
Forever
Freed,
Of man-made Thou Shall Nots?




Nimah Nawwab (Poetisa da Arábia Saudita, 1966- )

Biografia de Nimah Nawwab

Qassim Haddad - Lo mas alto



Foto: Clouds, de Joe Strahlendorff



En el lecho más alto que las nubes
no sentíamos sueño
El sueño es de baja estatura
y nosotros en lo más alto de las alturas
en el lecho más alto
semillero de la lluvia
donde no hay sueño
Hacíamos niños a nuestro antojo
Los dibujábamos, peinábamos,
vestíamos, desvestíamos
encima de este lecho más alto que todo
Nosotros les enseñábamos a caminar
y ellos se tambaleaban como borrachos
de un vino más suave que la lluvia
En el lecho más alto
donde el sueño de baja estatura
no nos alcanzaba
éramos creados y creábamos
y contemplábamos la lluvia
desde allí.




Qassim Haddad (Poeta do Bahrein, 1948- )

Traducciones desde el francés por Rafael Patiño

Biografia de Qassim Haddad

Yehuda Amichai - Jerusalem



Foto de Puja



On a roof in the Old City
Laundry hanging in the late afternoon sunlight:
The white sheet of a woman who is my enemy,
The towel of a man who is my enemy,
To wipe off the sweat of his brow.

In the sky of the Old City
A kite.
At the other end of the string,
A child
I can't see
Because of the wall.

We have put up many flags,
They have put up many flags.
To make us think that they're happy.
To make them think that we're happy.




Yehuda Amichai (Poeta Israelita, nascido na Alemanha, 1924-2000)

Biografia de Yehuda Amichai

Aharon Shabtai - Mientras Marchabamos



Foto de CyberGus



Hace dos días en Rafi’ah,
nueve árabes fueron asesinados,
ayer seis
fueron muertos en Hebron,
y hoy —sólo dos.
El año pasado
mientras marchábamos
desde la calle Shenkin,
un hombre en motocicleta
nos gritó:
"Muerte a los árabes!"
En la esquina de Labor
frente al mercado de Bezalel,
junto a la carnicería
de Braun,
y en la esquina de Bograshov:
"¡Muerte a los árabes!"
Durante un año entero
este poema estuvo tirado
sobre la acera
a lo largo de la calle King George,
y hoy
lo levanto y compongo
su línea final:
"¡Vida a los árabes!"




Aharon Shabtai (Poeta de Israel, 1939- )

Biografia de Aharon Shabtai

Ibrahim Nasrallah - Desconcertado



Al principio
Los caballos dijeron, nosotros necesitamos las planicies
Las águilas dijeron, nosotras necesitamos las cimas
Las serpientes dijeron, nosotras necesitamos las madrigueras
Mas los humanos permanecían desconcertados.




Ibrahim Nasrallah (Poeta da Jordânia, 1954- )

Traducciones de Raúl Jaime Gaviria

Biografia de Ibrahim Nasrallah

Ibrahim Nasrallah - Fe



Foto: Alive, de Chris Blaszczyk



Cada vez que oigo hablar acerca de un tigre
Que devora a su entrenador en el circo
O a su guarda en el zoológico
Me elevo en alegría
Dentro de mi jaula




Ibrahim Nasrallah (Poeta da Jordânia, 1954- )

Traducciones de Raúl Jaime Gaviria

Biografia de Ibrahim Nasrallah

Mohammed Al-Nabhan - Una mujer



Llegaste muy tarde...
Mi verde sueño
El aroma que viaja como verde nostalgia
La aurora del Duelo...
Llegaste tarde,
Llegaste tarde...
El sueño quebrado como un espejo
Tu perfume no embriaga en el exilio
Estoy solo
Sin tierra
El mundo no me pertenece
Solitario...
Porto mi otro exilio
Mi otra hambre
Los maderos de la crucifixión
Yo viajo, un desconocido
Anhelando ser crucificado bajo las formas del romance.




Mohammed Al-Nabhan (Poeta do Kuwait, 1971- )

Traducciones de Raúl Jaime Gaviria

Biografia de Mohammed Al-Nabhan


Yehuda Amichai - A Precise Woman



A precise woman with a short haircut brings order
to my thoughts and my dresser drawers,
moves feelings around like furniture
into a new arrangement.
A woman whose body is cinched at the waist and firmly divided
into upper and lower,
with weather-forecast eyes
of shatterproof glass.
Even her cries of passion follow a certain order,
one after the other:
tame dove, then wild dove,
then peacock, wounded peacock, peacock, peacock,
the wild dove, tame dove, dove dove
thrush, thrush, thrush.

A precise woman: on the bedroom carpet
her shoes always point away from the bed.
(My own shoes point toward it.)




Yehuda Amichai (Poeta Israelita, nascido na Alemanha, 1924-2000)

Biografia de Yehuda Amichai