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sexta-feira, junho 27, 2008

Ludwig van Beethoven - Carta de Amor


7 de Julho

Bom dia! Todavia, na cama se multiplicam os meus pensamentos em ti, minha amada imortal; tão alegres como tristes, esperando ver se o destino quer ouvir-nos. Viver sozinho é-me possível, ou inteiramente contigo, ou completamente sem ti. Quero ir bem longe até que possa voar para os teus braços e sentir-me num lugar que seja só nosso, podendo enviar a minha alma ao reino dos espíritos envolta contigo. Tu concordarás comigo, tanto mais que conheces a minha fidelidade, e que nunca nenhuma outra possuirá meu coração; nunca, nunca… Oh, Deus! Por que viver separados, quando se ama assim?

Minha vida, o mesmo aqui que em Viena: sentindo-me só, angustiado. Tu, amor, tens-me feito ao mesmo tempo o ser mais feliz e o mais infeliz. Há muito tempo que preciso de uma certeza na minha vida. Não seria uma definição quanto ao nosso relacionamento?… Anjo, acabo de saber que o correio sai todos os dias. E isso me faz pensar que tu receberás a carta em seguida.

Fica tranquila. Contemplando com confiança a nossa vida alcançaremos o nosso objectivo de vivermos juntos. Fica tranquila, queiras-me. Hoje e sempre, quanta ansiedade e quantas lágrimas pensando em ti… em ti… em ti, minha vida… meu tudo! Adeus… queiras-me sempre! Não duvides jamais do fiel coração de teu enamorado Ludwig.

Eternamente teu,
eternamente minha,
eternamente nossos.



Ludwig van Beethoven (Compositor Erudito Alemão, 1770—1827)


domingo, julho 29, 2007

Gottfried Benn - Olímpico



Foto: Heidi Klum, Autor Desconhecido.



Eleva-te da fila das que estão,
mulheres que a terra toda põem em flor,
adiantas-te, trazendo a sagração
da eleitas pró fogo em que arde o amor.

Do princípio dos povos, das idades,
presságio, cruzamento, morte – vem,
agora a forma és tu – serenidades,
esperança, sedução, trazes, mas quem

esperarás para o teu arrepio
e quem te bebe e reconhece assim
na tua eternidade em luta e cio –
esperarás o deus? – Espera por Mim!



Gottfried Benn (Poeta alemão, 1889 – 1956)

domingo, novembro 05, 2006

Nietzsche - Porque prefiro...



Porque prefiro ainda o barulho e a tempestade e as maldições do tempo a esta calma de gato prudente e céptico; e, entre os homens, aqueles que mais odeio são os que passam furtivamente e os tíbios, as nuvens que passam duvidosas e hesitantes.

Nietzsche (Filósofo Alemão, 1844-1900)


domingo, setembro 24, 2006

Rainer Maria Rilke - Amor ...



Amor: duas solidões protegendo-se uma à outra.

Rainer Maria Rilke



Foto: Cheek to cheek, by Maggie Heinzel-Neel

sexta-feira, junho 30, 2006

Rainer Rilke - Apaga-me os olhos...

Esta semana tocaram-me novas palavras...

Em resposta ao meu apelo, uma amiga enviou-me este poema lindíssimo. Muito obrigada, Carla. Sigam o exemplo e enviem-me as palavras que vos tocam.



Apaga-me os olhos, ainda posso ver-te.
Tranca-me os ouvidos, ainda posso ouvir-te,
e sem pés posso ainda ir para ti,
e sem boca posso ainda invocar-te.
Quebra-me os ossos, e posso apertar-te
com o coração como com a mão,
tapa-me o coração, e o cérebro baterá,
e se me deitares fogo ao cérebro,
hei-de continuar a trazer-te no sangue.



Rainer Marie Rilke, in Livro das Horas