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sexta-feira, janeiro 04, 2008

Manuel António Pina - Amor como em casa



Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.




Manuel António Pina (Jornalista, escritor e poeta português, 1943- )

domingo, novembro 05, 2006

Manuel António Pina - Nenhuma música



Foto de James McQuillan


O gato olha-me
ou o meu olhar olhando-o?
E eu que não vejo senão
a mesma Única solidão?

Chamo-o pelo nome,
pela oposição.
Em vão:
sou eu quem responde.

Virou-se e saltou
para o parapeito
real e perfeito,
sem nome e sem corpo.
(Também eu estou
como ele, morto).



Manuel António Pina (Jornalista, escritor e poeta português, 1943- )