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segunda-feira, agosto 25, 2008

Ana Carolina - Nada te faltará



Pra onde vamos
As vans, carros e bicicletas?
Certezas avessas
Comércio de guerra
Legado de merda

Mais de um bilhão de chineses
Marchando sem deuses
E outros descalços
Fazendo sapatos
Pra nobres e ratos

Sobe do solo
A nuvem de óleo com cheiro
De enxofre queimado
Fudendo com os ares
E outras barbáries

Quero mudança total
Uma idéia genial
A ciência e o amor
A favor do futuro
Quero o claro no escuro

Peço paz aos filhos de abraão
Quero gandhi na melhor versão

E nada vai me faltar, e nada te faltará
E nada vai me faltar, e nada te faltará

Pra onde seguem os barcos?
Os homens, suas trilhas
Seus filhos e filhas
No pau da miséria?
Um pico na artéria

As mulheres pedintes perdidas
Que já quase loucas
Dividem o frio da noite
Com as drags
As mães e os "carregues"

Meninas sangrando na boca
E no meio das pernas
No meio da noite
Tomando cacete
Sem dente, sem leite

Quero respeito
Os humanos direitos
Fazendo pensar os pilares
De uma nova era
Que não seja quimera

Peço paz aos filhos de abraão
Quero gandhi na melhor versão

E nada vai me faltar, e nada te faltará
E nada vai me faltar, e nada te faltará



Ana Carolina (Letrista, cantora, compositora brasileira, 1974- )

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Líria Porto - Temos asas viradas para dentro




ninguém é só bom ou ruim
pensem o que pensem
assim somos
mestiços de anjo
e demônio



Líria Porto (Poetisa brasileira que publica aqui)

segunda-feira, outubro 01, 2007

Ibrahim Nasrallah - Desconcertado



Al principio
Los caballos dijeron, nosotros necesitamos las planicies
Las águilas dijeron, nosotras necesitamos las cimas
Las serpientes dijeron, nosotras necesitamos las madrigueras
Mas los humanos permanecían desconcertados.




Ibrahim Nasrallah (Poeta da Jordânia, 1954- )

Traducciones de Raúl Jaime Gaviria

Biografia de Ibrahim Nasrallah

domingo, setembro 02, 2007

Duncan Campbell Scott - Enigma



Foto de Pamela Hanson



Some men are born to gather women's tears,
To give a harbour to their timorous fears,
To take them as the dry earth takes the rain,
As the dark wood the warm wind from the plain;
Yet their own tears remain unshed,
Their own tumultuous fears unsaid,
And, seeming steadfast as the forest and the earth
Shaken are they with pain.
They cry for voice as earth might cry for the sea
Or the wood for consuming fire;
Unanswered they remain
Subject to the sorrows of women utterly -
Heart and mind,
Subject as the dry earth to the rain
Or the dark wood to the wind.




Duncan Campbell Scott (Poeta Canadiano, 1862-1947)

Biografia de Duncan Campbell Scott

domingo, agosto 26, 2007

Elizabeth Bishop - Pink Dog



Foto: Kris Kros



[Rio de Janeiro]

The sun is blazing and the sky is blue.
Umbrellas clothe the beach in every hue.
Naked, you trot across the avenue.

Oh, never have I seen a dog so bare!
Naked and pink, without a single hair...
Startled, the passersby draw back and stare.

Of course they're mortally afraid of rabies.
You are not mad; you have a case of scabies
but look intelligent. Where are your babies?

(A nursing mother, by those hanging teats.)
In what slum have you hidden them, poor bitch,
while you go begging, living by your wits?

Didn't you know? It's been in all the papers,
to solve this problem, how they deal with beggars?
They take and throw them in the tidal rivers.

Yes, idiots, paralytics, parasites
go bobbing int the ebbing sewage, nights
out in the suburbs, where there are no lights.

If they do this to anyone who begs,
drugged, drunk, or sober, with or without legs,
what would they do to sick, four-legged dogs?

In the cafés and on the sidewalk corners
the joke is going round that all the beggars
who can afford them now wear life preservers.

In your condition you would not be able
even to float, much less to dog-paddle.
Now look, the practical, the sensible

solution is to wear a fantasía.
Tonight you simply can't afford to be a-
n eyesore... But no one will ever see a

dog in máscara this time of year.
Ash Wednesday'll come but Carnival is here.
What sambas can you dance? What will you wear?

They say that Carnival's degenerating
— radios, Americans, or something,
have ruined it completely. They're just talking.

Carnival is always wonderful!
A depilated dog would not look well.
Dress up! Dress up and dance at Carnival!




1979

Elizabeth Bishop (Poetisa Norte-Americana, 1911-1979)


«"Cadela Rosada" (Pink Dog) é um dos últimos poemas de Elizabeth Bishop, uma americana com fortes ligações com o Brasil. Viveu no Rio de Janeiro e em Ouro Preto, e traduziu para o inglês poemas de Carlos Drummond, João Cabral e Vinícius de Moraes. Bishop é, também, um dos nomes mais importantes da moderna poesia americana.

Embora concluído em 1979, "Cadela Rosada" começou a ser escrito muitos anos antes. Refere-se a um episódio famoso, de 1962, quando se denunciou que mendigos cariocas estavam a ser assassinados pelo Esquadrão da Morte, que lançava os cadáveres no rio da Guarda.

Elizabeth Bishop identifica a cadela rosada com um mendigo. E pergunta: se estão fazendo isso com seres humanos, o que não farão com uma pobre cadela sarnenta? Mas é interessante também fazer outra leitura: em inglês, bitch (cadela) é, também, prostituta. Então, muitos analistas vêem nesse animal uma metáfora da condição feminina.

Para esses analistas, é a mulher pobre, sozinha, com filhos, sem um lar constituído. Portanto, um ser fora dos padrões, acometido de sarna moral, aos olhos da distinta sociedade. (...)»


Texto de Carlos Machado

Biografia de Elizabeth Bishop


domingo, novembro 12, 2006

Encandescente - Discurso do Falo




Foto: Mark Vanderloo por autor desconhecido.




Eu, Falo erecto.
Prometo rigidez na forma,
Dureza na posição,
Ser certeiro na pontaria
E ir ao centro da questão.
Eu, Falo erecto.
Manter-me-ei hirto e firme
Até atingir o meu objectivo,
E demonstrar:
Que eu Falo,
Falo,
Mas cumpro!
Porque não sou oco por dentro
Ou destituído de conteúdo.



Encandescente (Poetisa e escritora criadora do blog Erotismo na Cidade), Março 2005.

domingo, julho 23, 2006

Leila Micólis - Exigência




























Meu homem eu quero,
enquanto puder,
molhado e húmido
feito mulher.


Leila Micólis


Foto de Marc Gut