Mostrar mensagens com a etiqueta Maria Teresa Horta. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Maria Teresa Horta. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, outubro 15, 2008

Maria Teresa Horta - Joelho



Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho

Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio

Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo

Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo

Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo

E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento

Volto então ao teu
joelho
entreabrindo-te as pernas

Deixando a boca
faminta
seguir o desejo nelas.



Maria Teresa Horta (Escritora Portuguesa, 1937- )

domingo, novembro 18, 2007

Maria Teresa Horta - Quando se quer



Quando se quer
da distância fazer
perto

Quando se inventa
do outro
a melhor parte

Quando se toma a lonjura
e por certo se tem do incerto
aquilo que não sabe

Quando se inventa na espera
o que adivinha
ser pelo excesso a linha do baraço

Quando a ausência vacila
no silêncio e traz de volta
o fogo no regaço




Maria Teresa Horta (Escritora portuguesa, 1937- )

Maria Teresa Horta - Dizer da paixão mais do que o sangue



Dizer da paixão mais do que o sangue
mais do que fogo
trazido ao coração

Mais do que o golpe furtivo já ardendo
revolvendo na seda
a ponta de um arpão

Dizer da febre sem fé
do animal feroz
dos líquens abertos e dos lírios

Dizer desassossego
sem razão
da raiva silvando no delírio

Dizer do prazer o meu gemido
no quanto é ambígua esta prisão
a deixar-me livre no que sinto
e logo envenenada à tua mão




Maria Teresa Horta (Escritora portuguesa, 1937- )

domingo, fevereiro 18, 2007

Maria Teresa Horta - Gozo IX




Ondula mansamente a tua língua
de saliva tirando
toda a roupa...

já breves vêm os dias
dentro de noites já
poucas.

Que resta do nosso
gozo
se parares de me beijar?

Oh meu amor...
devagar...
até que eu fique louca!

Depois... não vejas o mar
afogado em minha
boca!



Maria Teresa Horta (Escritora portuguesa, 1937- )

domingo, fevereiro 11, 2007

Maria Teresa Horta - Referência






Quantas vezes te digo
quantas vezes...
que és para mim
o meu homem amado?

O que chega primeiro
e só parte por vezes
antes de eu perceber
que já tinhas voltado

Quantas vezes te digo
quantas vezes...
que és para mim
o meu homem amado?

Aquele que me beija
e me possui
me toma e me deixa
ficando a meu lado

Quantas vezes te digo
quantas vezes...
que és para mim
o meu homem amado?

Que sempre me enlouquece
e só aí percebo
como estava perdida
sem te ter encontrado



Maria Teresa Horta (Escritora Portuguesa, 1937- )

domingo, dezembro 17, 2006

Maria Tereza Horta - Abrigo




Abrigo-me de ti
de mim não sei
há dias em que fujo
e que me evado
há horas em que a raiva
não sequei
nem a inveja rasguei
ou a desfaço

Há dias em que nego
e outros onde nasço

há dias só de fogo
e outros tão rasgados

Aqueles onde habito com tantos
dias vagos.


Maria Tereza Horta (Escritora Portuguesa, 1937- )



Maria Tereza Horta - Invocação ao Amor



Foto de Christine


Pedir-te a sensação
a água
o travo

aquele odor antigo
de uma parede
branca

Pedir-te da vertigem
a certeza
que tens nos olhos quando
me desejas

Pedir-te
sobre a mão
a boca inchada
um rasto de saliva
na garganta

pedir-te que me dispas
e me deites
de borco e os meus seios
na tua cara

Pedir-te que me olhes e me aceites
me percorras
me invadas
me pressintas

Pedir-te que me peças
que te queira
no separar das horas
sobre a língua

Meu ciúme
meu perfil
minha fome

meu sossego
minha paz
minha aventura

Meu sabor
minha avidez
saciedade

minha noite
minha angústia
meu costume


Maria Tereza Horta (Escritora portuguesa, 1937- )


Maria Tereza Horta - Referência


Foto: Negative-Positive, de KoAn


Quantas vezes te digo
quantas vezes...
que és para mim
o meu homem amado?

O que chega primeiro
e só parte por vezes
antes de perceber
que já tinhas voltado

Quantas vezes te digo
quantas vezes...
que és para mim
o meu homem amado?

Aquele que me beija
e me possui
me toma e me deixa
ficando a meu lado

Quantas vezes te digo
quantas vezes...
que és para mim
o meu homem amado?

Que sempre me enloquece
e só aí percebo
como estava perdida
sem te ter encontrado


Maria Tereza Horta (Escritora portuguesa, 1937- )

Maria Tereza Horta - Segredo




Foto de Positive-Negative, de KoAn


Não contes do meu
Vestido
Que tiro pela cabeça

Nem que corro os
Cortinados
Para uma sombra mais espessa

Deixa que feche o
Anel
Em redor do teu pescoço
Com as minhas longas
Pernas
E a sombra do meu poço

Não contes do meu
Novelo
Nem da roca de fiar

Nem o que faço
Com eles
A fim de te ouvir gritar



Maria Tereza Horta (Escritora Portuguesa, 1937- )


Maria Tereza Horta - Noite




Foto de Peter Walter



De noite só quero vestido
o tecido dos teus dedos
e sobre os ombros a franja
do final dos cabelos

Sobre os seios quero
a marca
do sinal dos teus dentes

e a vergasta dos teus
lábios
a doer-me sobre o ventre

Nas pernas e no pescoço
quero a pressão mais
ardente

e da saliva o chicote
da tua língua dormente


Maria Tereza Horta (Escritora portuguesa, 1937- )


Maria Tereza Horta - Poema sobre a recusa




Foto: Straight to the heart by Stellefilanti



Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda



Maria Tereza Horta (Escritora portuguesa, 1937- )

Maria Tereza Horta - Os Silêncios




Foto de Edyta Pilichowska



Não entendo os silêncios
que tu fazes
nem aquilo que espreitas
só comigo

Se escondes a imagem
e a palavra
e adivinhas aquilo
que não digo

Se te calas
eu oiço e eu invento
Se tu foges
eu sei não te persigo

Estendo-te as mãos
dou-te a minha alma
e continuo a querer
ficar contigo



Maria Tereza Horta (Escritora portuguesa, 1937- )


Maria Tereza Horta - Minha Senhora de Mim



Comigo me desavim
minha senhora
de mim

sem ser dor ou ser cansaço
nem o corpo que disfarço

Comigo me desavim
minha senhora
de mim

nunca dizendo comigo
o amigo nos meus braços

Comigo me desavim
minha senhora
de mim

recusando o que é desfeito
no interior do meu peito


Maria Tereza Horta (Escritora portuguesa, 1937 - )

Maria Tereza Horta - Enleio



Não sei se volteio
Se rodopio
Se quebro

Se tombo nesta queda
em que passeio

Não sei se a vertigem
em que me afundo

é este precipício em que me enleio
Não sei se cair assim me quebra...
Me esmago ou sobrevivo
em busca deste anseio


Maria Teresa Horta (Escritora portuguesa, 1937- )

domingo, julho 23, 2006

M. Tereza Horta - Desperta-me de noite



















Desperta-me de noite
o teu desejo
na vaga dos teus dedos
com que vergas
o sono em que me deito

É rede a tua língua
em sua teia
é vício as palavras
com que falas

A trégua
a entrega
o disfarce

E lembras os meus ombros
docemente
na dobra do lençol que desfazes

Desperta-me de noite
com o teu corpo
tiras-me do sono
onde resvalo

E eu pouco a pouco
vou repelindo a noite
e tu dentro de mim
vai descobrindo vales.


Maria Tereza Horta


Foto "Foto nua" de Rui Pedro Alves